Sobre a Nova Ordem Mundial II - A Missão


Volto ao assunto da Nova Ordem Mundial e voltarei muitas outras vezes porque acredito que atualmente não existe tema político mais importante, confuso e, principalmente, porque o assunto não é abordado pela imprensa com a profundidade e seriedade merecidas.

Como já disse em outras postagens, existem três grandes forças políticas tentando impor o totalitarismo mundial: o Islamismo, o Comunismo Internacional e o Consórcio*. Seus conteúdos são conflitantes, mas na forma e na temporalidade destas forças é possível identificar alguns padrões sob o fluxo enlouquecedor de informações.

O alvo de todas as formas de globalismo é a sociedade ocidental em que vivemos, baseada nos valores, crenças e costumes que formaram nossas personalidades. Com todos os seus defeitos, a civilização que surgiu na Europa sobre as bases da moral Cristã, do pensamento grego e do direito romano é a mais avançada, justa e próspera civilização que a História humana conheceu.

Sejam comunistas, islâmicos ou bilionários, para implantar seus planos, não basta o poder sobre as instituições da nossa sociedade, é necessário destruir as instituições e o que estas simbolizam, é preciso inverter os valores e rebaixar a capacidade racional da maioria, corrompê-la com esmolas e desmoralizá-la com vulgaridades. Só com uma civilização destruída se pode implantar outra. O próprio David Rockefeller diz em sua autobiografia que “a Nova Ordem vai emergir do caos”. Pior: diz ele ainda que “para a população aceitar a Nova Ordem Mundial, basta a crise certa”.
A urgência em destruir os pilares da civilização ocidental, portanto, é apenas um desdobramento lógico do que está nos parágrafos anteriores. E quais são esses pilares?
1 - a alta cultura, 2 - a ordem jurídica e 3 - o Cristianismo. E a dinâmica é esta: enfraquecendo a primeira, corrompendo a segunda e combatendo o terceiro. Sem parar.
Alguma dúvida sobre estarem fazendo exatamente isso a cada minuto, mesmo enquanto você lê esse texto? Pense bem:
1- Em um país onde se faz apologia ao erro em livro didático, nem é preciso falar mais nada sobre educação e cultura;
2- Leis contraditórias e inconstitucionais estão sendo aprovadas a cada dia em todo o mundo, sob coordenação da ONU e com o único objetivo de destruir os edifícios jurídicos que sustentam a soberania de um país – o alvo é exatamente este: as soberanias nacionais;
3- O Cristianismo, que fundou o que existiu de melhor no Ocidente, tornou-se alvo dos mais vulgares ataques: de uma inversão histórica sobre as cruzadas à multiplicação, por mil, dos números de mortes na Inquisição, já vi absurdos incríveis na imprensa, em livros didáticos e, claro, na prova do ENEM. Ninguém no mundo, hoje, é mais discriminado do que o Cristão. O seguidor da religião do Perdão, além de ter sua moral diariamente atacada, convive também com ataques à sua vida. Na Índia, na China, no Paquistão, no Irã, na Arábia Saudita, no Catar e em muitos países da África, entre eles o Egito e a Costa do Marfim, por exemplo, Cristãos estão sendo mortos, DIARIAMENTE e a imprensa não divulga. Uma católica foi condenada à morte no Paquistão por afirmar a divindade de Jesus Cristo e nenhum jornal brasileiro deu essa notícia. Na Arábia Saudita uma protestante foi surrada com ordem judicial, na rua, na frente de seus filhos porque estava carregando uma Bíblia “visível”. E um guia turístico de Guarulhos foi deportado do Egito porque também carregava no carro um exemplar das Sagradas Escrituras. Você viu alguma passeata, abaixo assinado, manifestação na avenida paulista? Nem eu. Mas vejo ataques bem sérios aos valores caros ao Cristianismo. Todos os dias...
As três forças têm objetivos similares no curto prazo, mas suas ambições são bem particulares.

Os comunas querem fazer do mundo uma imensa União Soviética, só que agora acreditam que vai dar certo porque “educaram” a população conforme ensinou Antonio Gramsci. Mudam as moscas.,.
Os islâmicos seguem a idéia de que todo homem deve ser islamizado ou será eternamente um infiel, que não merece sua plena companhia. Seu plano, bem claro, é implantar a sharia, a lei religiosa islâmica em todos os cantos da terra, para completar a umma, a comunidade islâmica. Apedrejamentos, enforcamentos e decapitações passam a ser artifícios de punição oficiais para crimes religiosos.
Os banqueiros, que atualmente avançam com mais desenvoltura rumo ao seu intento totalitário, utilizam a ONU e seus tentáculos para enraizar novas instituições e enfraquecer as estruturas das nações. Reunidos em grupos como Clube Bilderberg ou Clube de Roma e com instrumentos como CFR, Comissão Trilateral e Diálogo Interamericano, mobilizam governos, ongs e conglomerados privados para impor paulatinamente as etapas da sua estratégia: derrubar todas as barreiras ao Socialismo Fabiano, planejado por figurões da alta sociedade como Albert Pike, H.G. Wells e Cecil Rhodes, e figurinhas obscuras como Aleister Crowley e Helena Blavatzki. Atualmente, como os objetivos de curto prazo coincidem, banqueiros financiam comunistas e islâmicos em busca da destruição da civilização ocidental.
A Civilização Ocidental, se pretende continuar existindo, deve primeiro perceber quem são seus reais inimigos. Os agentes desse desenrolar histórico são poderosos e violentos, mas cabe àqueles que ainda acreditam na liberdade, no mérito e na Verdade orientar seus amigos e familiares, pois logo não poderemos fazer nem isso.

* Consórcio é um termo utilizado por Olavo de Carvalho em seu debate com o russo Aleksndr Dugin. Na postagem anterior (AQUI) selecionei um trecho da exposição do Professor Olavo. Não perca esse debate (AQUI).

Chamado aos Cristãos


Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome,
aí estou eu no meio deles - Mateus 18:20

Qualquer Cristão bem informado sabe que seus irmãos estão sendo perseguidos em todos os continentes. No Oriente Médio, na África, na China ou na Índia afirmar a crença em Jesus Cristo pode levar à morte. Seja pelas pedras dos inimigos, seja pela caneta nos tribunais ocidentais, o fato é que nenhum grupo atualmente sofre discriminação sequer parecida. Protestantes, Ortodoxos, Anglicanos e Católicos morrem por sua fé sem que a opinião pública nem mesmo lamente.
Se não bastassem os ataques selvagens e as condenações por crime de crença ou opinião que têm aumentado assustadoramente, nos últimos anos também cresceu, e numa proporção ainda maior, ataques aos direitos civis dos Cristãos, sempre revestidos de falsa bondade e sustentados pela mais completa inversão da realidade.
Apesar de ser maioria absoluta no mundo e em especial no Brasil, a força política dos Cristãos é débil e desordenada. É evidente que a mídia internacional, controlada por pessoas que transitam pelo ocultismo das sociedades secretas, contribuiu e contribui muito para o enfraquecimento da influência política do Cristianismo. No entanto, acredito que existe um fator ainda mais danoso para a Igreja de Cristo: a desunião dos seus membros.
Durante os primeiros séculos já ocorriam divergências entre os seguidores de Jesus. Isso se dá porque o Cristianismo está fundado sobre a confiança que depositamos em Jesus Cristo, e da interpretação de Seus atos e palavras nascem algumas divergências. No entanto, muitas das Verdades são unânimes entre todas as doutrinas e estas podem servir de cimento para juntar as partes soltas.
Seria muita pretensão acreditar que este simples desabafo pode unir o que os séculos separaram. A intenção aqui é outra. Não pretendo suprimir as divergências, tornar tudo homogêneo, longe disso. Trata-se simplesmente de uma tentativa de unir os Cristãos, de modo a elevar a vigília e facilitar a defesa contra os ataques dos inimigos.
Os Cristãos são maioria no Brasil e devem exigir que seus direitos e seus valores sejam respeitados. Nossas condutas não podem ser criminalizadas em favor de uma minoria que grita mais alto, inflada por Organizações Não Governamentais sustentadas pelo Governo, ou melhor, pelos nossos impostos.
Manifeste sua Fé!   É sua obrigação!

O Consórcio - Olavo de Carvalho


Está acontecendo um debate extremamente importante sobre o panorama atual da política internacional. O tema do debate é 

"Quais são os fatores e atores históricos, políticos, ideológicos e econômicos que definem atualmente a dinâmica e a configuração do poder no mundo e qual a posição dos Estados Unidos da América nisso que é conhecido como Nova Ordem Mundial?"
 
De um lado o professor Olavo de Carvalho, de outro o russo Aleksandr Dugin, ideólogo do Eurasianismo - um eufemismo para Comunismo Russo-Chinês.

Selecionei um trecho da exposição do professor Olavo, sobre uma das forças políticas mais influentes no xadrez atual. Amanhã pretendo voltar ao assunto, por isso é importante entender o que é o Consórcio. De qualquer forma, indico o debate a todos que pretendem entender o que está acontecendo: O link está AQUI. Boa leitura.

...

A elite globalista não é apenas uma vaga classe social de capitalistas e banqueiros. É uma entidade organizada, com existência contínua há mais de um século, que se reúne periodicamente para assegurar a unidade dos seus planos e a continuidade da sua execução, com a minúcia e a precisão científica com que um engenheiro controla a transmutação do seu projeto em edifício.

A expressão mesma “elite global”, que tenho usado, não dá uma idéia exata da natureza dessa entidade. Muito melhor é o nome sugerido no título do livro de Nicholas Hagger, The Syndicate. [3] Só não a copio ipsis litteris porque sua equivalente brasileira denota organizações trabalhistas, que em inglês não se chamam “sindicatos” e sim unions, enquanto Syndicate se usa mais para associações comerciais e patronais, dando o sentido preciso do que Hagger pretende dizer. Contorno portanto essa dificuldade adotando o termo “Consórcio”, que será usado daqui por diante.

O Consórcio é a organização de grandes capitalistas e banqueiros internacionais, empenhados em instaurar uma ditadura mundial socialista (já veremos por que socialista). São tantos os documentos e estudos que descrevem meticulosamente sua origem, sua história, sua constituição e modus operandi, que nenhuma desculpa se pode admitir para o desconhecimento da matéria, sobretudo em pessoas que pretendem opinar a respeito.  Tão abundante é a bibliografia sobre o Consórcio, que toda tentativa de resumi-la aqui seria vã. Só o que cabe fazer é indicar alguns títulos essenciais, que o leitor citados aqui e ali ao longo desta exposição, e destacar alguns pontos indispensáveis à compreensão deste debate:

1. O Consórcio formou-se há mais de cem anos, por iniciativa dos Rothschild, uma família multipolar, com ramificações na Inglaterra, na França e na Alemanha desde o século XVIII pelo menos.

2. O Consórcio reúne algumas centenas de famílias bilionárias para a consecução de planos globais que assegurem a continuidade e expansão do seu poder sobre todo o orbe terrestre. Esses planos são de longuíssimo prazo, transcendendo o tempo de duração das vidas dos membros individuais da organização e mesmo o da existência histórica de muitos Estados e nações envolvidos no processo.

3. O Consórcio é uma organização dinástica, cuja continuidade de ação é assegurada pela sucessão de pais a filhos desde há muitas gerações. Veremos adiante (§ 9, “Geopolítica e História”) que esse tipo de continuidade é o fator que distingue entre os verdadeiros sujeitos agentes do processo histórico e as formações aparentes, veneráveis o quanto sejam, que se agitam na superfície das épocas como sombras chinesas projetadas na parede.

4. O Consórcio atua por meio de uma multiplicidade de organizações subsidiárias espalhadas pelo mundo todo, como por exemplo o Grupo Bilderberg ou o Council on Foreign Relations, mas não tem ele próprio uma identidade jurídica. Isso é uma condição essencial para a sua atuação no mundo, permitindo-lhe comandar inumeráveis processos políticos, econômicos, culturais e militares sem poder jamais ser responsabilizado diretamente pelos resultados (ou pela iniqüidade dos meios), seja ante os tribunais, seja ante o julgamento da opinião pública. Tendo agentes fidelíssimos espalhados em vários governos – e no comando de alguns deles –, é sobre esses governos que recai, no debate público, a responsabilidade pelas decisões e ações do Consórcio, fazendo com que os Estados e nações usados como seus instrumentos se tornem também, automaticamente e sem a menor dificuldade, seus bodes expiatórios. É esta a explicação de que tantas decisões políticas manifestamente contrárias aos interesses e até à sobrevivência das nações envolvidas sejam depois, paradoxalmente, atribuídas a ambições nacionalistas e imperialistas fundadas no “interesse nacional”. Os exemplos históricos são muitos, mas, para ficarmos no presente, basta notar que o presidente Obama, notório servidor do Consórcio, gastou em apenas uma semana 500 milhões de dólares num esforço de guerra destinado a entregar o governo da Líbia a facções políticas declaradamente anti-americanas, podendo ser então acusado de imposição tirânica do poder americano no instante mesmo em que debilita esse poder e o põe a serviço de seus inimigos, tornando-se alvo da fúria “anti-imperialista” destes últimos no ato mesmo de ajudá-los paternalmente a demolir a força e o prestígio dos EUA. Não fez outra coisa o presidente Lyndon Johnson quando enviou os soldados americanos à guerra ao mesmo tempo que lhes amarrava as mãos para que não pudessem vencê-la de maneira alguma, tornando-se assim, ante a mídia de esquerda, o supremo agressor imperialista, quando era na verdade o melhor amigo secreto dos vietcongues. Mesmíssima desgraça produziu o presidente Clinton quando, ao fornecer ajuda à Colômbia para que combatesse o comércio de drogas, impôs como condição para isso que “as organizações políticas” envolvidas no narcotráfico fossem deixadas incólumes: o narcotráfico não diminuiu, apenas seu controle foi transferido das quadrilhas apolíticas para as Farc, que, enriquecidas e livres de concorrentes, puderam então financiar a construção do Foro de São Paulo e a transformação da América Latina quase inteira numa fortaleza do anti-americanismo militante. Duplamente presenteada, a esquerda latino-americana pôde assim beneficiar-se de um fabuloso acréscimo de poder e ao mesmo tempo protestar, com ares de indignação, contra a “intervenção imperialista” à qual deviam o mais generoso dos favores. Os exemplos poderiam multiplicar-se ad infinitum. [4] Esse é o modo de ação característico do Consórcio: usar os governos como instrumentos de planos que prejudicam as suas nações, e depois ainda acusá-los de prepotência nacionalista e imperialista.

5. O Consórcio é uma entidade característicamente supra-nacional, formada de famílias de nacionalidades diversas, independente e soberana em face de qualquer interesse nacional possível e imaginável. Um breve exame da lista dessas famílias basta para demonstrá-lo com evidência sobrante. Supor que os Onassis, os Dupont, os Agnelli, os Schiff, os Warburg, os Rothschild, o príncipe Bernhard e a rainha Beatrix da Holanda, o rei Juan Carlos da Espanha, o rei Harald V da Noruega sejam todos patriotas americanos, empenhados em exaltar o poder e a glória dos EUA, é uma hipótese tão boba, tão pueril que nem merece discussão. A identificação do poder globalista com o interesse nacional americano – como outrora com o Império Britânico ou variados colonialismos – é apenas a camuflagem de praxe com que essa entidade onipresente confere a si própria as vantagens e confortos de uma relativa invisibilidade, batendo e roubando com mão alheia para não queimar os dedos nas fogueiras que vai ateando pelo mundo (e contando, para isso, com a colaboração servil da mídia internacional, que pertence a membros do próprio Consórcio).

Sobre a Internet


Estou na Internet desde o seu surgimento no Brasil. Peguei o finalzinho da era BBS, ainda não como usuário, mas como observador curioso. Assim que foi tecnologicamente possível, assinei Internet em casa, com modem de 14 kbps, conexão discada e provedor Mandic.
Nem o Google existia; e para conversar usava-se o ICQ. Mesmo assim eu percebi que ali estava um divisor de águas na História - quem me conhece, sabe.
No começo fiquei maravilhado com a possibilidade de conversar com pessoas distantes, de lugares desconhecidos, afinal o conteúdo ainda não era tão grande e a lenta e picotada conexão da época impedia downloads ou sites pesados. Apenas com o tempo os artigos, os livros e, mais tarde, os vídeos começaram a circular, e então a Internet mostrou todo seu potencial.
Naquele momento eu achei que o mundo caminharia para o sucesso necessariamente: a disseminação de cultura e informação na dimensão inimaginável que a Internet oferecia certamente iria conduzir a população a um nível de conhecimento também incomparável na História.
Ahhhh, como eu estava enganado...
Hoje, mais de 15 anos depois da chegada da Internet, o que vejo é muito mais sombrio. Vejo algo como um curto período de liberdade e acesso à informação que está chegando ao fim sem que a maioria tenha aproveitado seu enorme potencial. Explico, em três partes:
A) A maioria das pessoas subutiliza a Internet, aproveitando muito pouco aquilo que ela oferece. Seja por desconhecimento, seja por preguiça ou mau gosto, quase sempre os internautas usam a rede para futilidades e fofocas – para comprovar, basta uma rápida pesquisa nos sites mais visitados ou nos trend topics do Twitter.
B) A liberdade na Internet está chegando ao fim e quem não a utilizou como poderia, não poderá mais. Nos EUA, mais de 70.000 blogs foram retirados do ar desde a chegada do Sr. Hussein Obama à presidência; no Brasil, país que mais fez pedidos de censura ao Google, não existe esse dado, mas eu conheço alguns blogs que foram retirados do ar e ouvi sobre outros que foram intimidados com processos, ameaças e perseguições. Fora isso, o número de leis criadas para limitar a liberdade na Internet é enorme e contam com o apoio de um monte de ONGs, de todos partidos políticos e até de jornalistas!!!
A+B=C
C) Como não acredito que o plano dos globalistas deixaria a rede mundial de computadores de fora, tenho certeza que o crescimento da Internet foi planejado para ocupar o espaço da mídia convencional, que com o tempo será totalmente substituída por uma forma de mídia totalmente controlável, que além de administrar o conteúdo emitido, monitora o conteúdo recebido pelo rebanho.
Nunca devemos esquecer que a Internet nasceu como ARPAnet, uma rede de comunicação militar americana, que possibilita rastrear toda e qualquer informação e, mais ainda, permite modificar um conteúdo já publicado, assim como Winston reescrevia a História em 1984.

Primeiros Pasos - Parte 6

Ao iniciar um estudo, muitos entram de cabeça nos primeiros livros que encontram sobre o assunto estudado e pulam de um para outro freneticamente. Acredito que este modo de estudar pode não só desperdiçar o tempo e os neurônios do estudante, mas também estruturar de forma equivocada os novos conhecimentos adquiridos, o que vai gerar um problema de longo prazo.

A melhor forma de entrar em um assunto é conhecendo o que de mais importante já se produziu sobre ele, o chamado Status Quaestionis. Uma ampla bibliografia sobre o assunto deve ser feita meticulosamente. Não tenha pressa de mergulhar em um tratado de 1500 páginas. Antes, descubra o que deve saber e onde se encontra determinado conhecimento, depois elabore uma lista do que deve ser buscado, o que deve ser lido conforme seu objetivo e, principalmente, de acordo com a sua ignorância do assunto. Quem faz uma metódica bibliografia foca os estudos no essencial, economiza tempo e ao final desta etapa certamente estará sabendo mais do que aquele que leu um ou alguns livros de forma automática. 

As pessoas que viveram antes da presença ostensiva da Internet em nossas vidas devem valorizar a facilidade que a rede de computadores trouxe para os estudantes. Antes da Internet o estudo autodidata era infinitamente mais difícil. Mesmo com o rumo ditatorial que está tomando, suas ferramentas são de grande ajuda para quem pretende estudar qualquer coisa – ao menos por enquanto. Não é preciso ser um Steve Jobs para aproveitar algumas ferramentas disponíveis gratuitamente na Internet. Utilizando o próprio Google é possível localizar livros, e-books, documentários, palestras e aulas, e a busca avançada pode ajudar com referências, ISBN, textos relacionados e muitas outras coisas para montar uma rica bibliografia e começar o estudo com o pé direito. Mãos à obra, a bibliografia é o próprio plano de estudo.

Primeiros Pasos - Parte 5

Como o objetivo é expandir a imaginação, vamos ao trabalho. As imagens, os sons e, principalmente, as palavras impressas na memória funcionam como matéria prima para a imaginação. Diante de uma situação real, nosso raciocínio busca na imaginação uma dica de como enfrentar aquela situação. Com uma imaginação rica, que disponha de matéria prima de qualidade em quantidade elevada, o raciocínio será muito mais amplo e flexível, já que dispõe de muitas alternativas, que foram coletadas entre as possibilidades registradas na memória.

Dou importância maior à palavra devido a dois fatores fundamentais: as palavras são signos que, de maneira inexplicável, fertilizam nossa imaginação adquirindo muitas camadas de significado, e quando corretamente armazenados na memória, frutificam e irradiam para outras áreas do conhecimento. Em segundo lugar, ao contrário das imagens, as palavras, os sons e os símbolos liberam a mente para uma absorção mais subjetiva, o que leva a um armazenamento mais orgânico e mais estruturado, o que facilita e agiliza o raciocínio. Por essa razão recomendo a leitura dos clássicos e considero as obras sacras uma leitura obrigatória. Estas, em especial, agem miraculosamente sobre a inteligência, e aquelas, quando bem escolhidas, podem proporcionar quase o mesmo efeito no intelecto.

As imagens, no entnato, também exercem muita influência na estética de nossa observação da realidade. Por isso, filmes, pinturas, esculturas e arquitetura são tão importantes e merecem seleção rigorosa. 

A música, como não poderia deixar de ser, influencia a imaginação quando sua melodia e sua harmonia simbolizam um objeto existente no Universo físico ou metafísico; seus ritmos e timbres, por sua vez, simbolizam ciclos naturais ou fisiológicos e portanto suas frequências e vibrações influenciam  funções físicas e até mesmo o comportamento das céulas. Música é comprovadamente uma terapia mental e corporal, enriquece a imaginação e regula os ciclos corpóreos. Parece claro que a escolha do que você ouve é fundamental, não?

Partindo da teoria para a aplicação prática, sugiro a leitura dos clássicos da literatura universal antes das especialidades e  antes até da leitura dos livros de  História e Ciências. Como o objetivo é a expansão do imaginário por meio das possibilidades humanas guardadas na literatura, nas artes e na música, o ideal é garimpar o que se produziu de melhor ao longo da História da humanidade. Este trabalho de escolha é bastante facilitado pela Tradição.

Os temas, estilos e autores sempre devem acompanhar suas intenções e características pessoais, no entanto, o tempo mostrou que algumas obras merecem atenção, independente dos seus objetivos e preferências. Para a literatura, sugiro iniciar pelo livro História da Literatura Ocidental, do Otto Maria Carpeaux, que vai funcionar como um catálogo dos melhores autores e melhores livros, um mapa bem detalhado para planejar e direcionar suas leituras. As palavras, como está dito acima, funcionam melhor para os objetivos tratados aqui, por isso dê preferência aos livros e deixe os documentários e filmes para assuntos mais recentes ou que necessitem do audiovisual para melhor interpretação. Na música não tem segredo: ouça os clássicos.

Em todas as situações da vida, o importante é entender o que está se passando e qual o significado último daquele instante. A boa arte pode contribuir bastante com isso.

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Imaginação e inteligência

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A Leitura




Estrutura da realidade

Considero a existência de Deus um fato inquestionável, porque auto-evidente, e não uma questão de fé.  As evidências são tantas e tão diversas que a própria percepção trata de captar de imediato esta confirmação, sem necessidade de raciocínio reflexivo. Prova disso é que todos os grandes pensadores que utilizaram a lógica para demonstrar a existência de Deus a fizeram apenas como forma de entender e confirmar teoreticamente aquilo que já percebiam.
Acho realmente muito estranho que nos últimos duzentos anos o número de mentes incapazes de perceber as evidências expressas na própria estrutura da realidade tenha aumentado tanto. Creio que o avanço da vulgaridade e o rebaixamento das capacidades intelectuais do homem moderno têm muito a ver com este distanciamento da Verdade, que deveria estar sendo usada para alcançar novos conhecimentos, já que, como ensinou Aristóteles, para se chegar a uma verdade, antes é necessário conhecer outra verdade, e  assim sucessivamente, até que por fim, se chegue à Verdade Suprema, que estrutura todas as outras. Esta Verdade, nada mais é, que a existência de Deus, a estrutura da realidade.

Um pouco de música



Hilary Hahn - Concerto para Violino - BWV 1042 - Alegro Assai - Johann Sebastian Bach

Primeiros Passos - Parte 4

Nesta postagem vamos concentrar os esforços na formação do sujeito cognoscente responsável e atento, e na compreensão de que o universo é inteligível e por meio da observação, ou, mais especificamente, da contemplação, podemos alcançar muitos conhecimentos.

Felicidade é capacidade de contemplação

Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação.

Aristóteles, - Ética a Nicômaco


...

Leia Sobre a vida contemplativa - Tomás de Aquino 


...

É verdade que a existência humana sobre a Terra é luta, divisão, precariedade, carência, incompletude. Mas fazer da mutilação um princípio metafísico absoluto, ou mesmo uma característica estrutural e imutável da essência humana sempre me pareceu um abuso, uma projeção universalizante de experiências contingentes, ou, pelo menos, é fazer do estado humano médio a régua máxima da perfeição concebível. É a covardia, é a depressão que leva um homem a culpar o universal, fundando sua derrota num princípio metafísico que é apenas a ampliação paranóica da sua própria divisão interior. Quem cede a essa tentação torna-se em breve incapaz de conceber a idéia mesma de universalidade, que casa inseparavelmente a unidade e a infinitude. O universal está, por definição, acima de todas as culpas, porque está acima de todas as divisões.

De outro lado, o esforço de justificar o universal tomou com freqüência o sentido de um racionalismo, buscando demonstrar a racionalidade do real tomado como um todo. Ora, racionalidade, se bem compreendida, não é outra coisa senão proporcionalidade e harmonia (ratio = proportio); e um todo não pode ser dito harmônico e proporcional senão de uma destas duas maneiras: ou em relação a um outro todo, ou na conformação de suas partes constituintes. O universal caía fora da possibilidade de ser captado por uma ou outra dessas categorias, na medida em que, por um lado, era único e sem segundo, e, de outro lado, sua unidade transcendia a de uma mera relação entre partes. Deste modo, atribuir ao universal quer a racionalidade, quer a irracionalidade, me parecia um abuso tão grande quanto o de negar o universal mediante um dualismo irrecorrível.

Desde muito cedo, portanto, se desenvolveu em mim a convicção de que a unidade do universal é metafisicamente necessária e de que, por outro lado, ela não cabe nos nossos conceitos correntes de razão e irrazão.

Da Contemplação Amorosa - Olavo de Carvalho

Vida contemplativa - Tomás de Aquino


O mais sábio dos santos e mais santo dos sábios

Neste texto  São Tomás de Aquino aborda as questões fundamentais da contemplação como forma de obter conhecimento e elevar a alma utilizando as principais capacidades humanas. Que aula!

PRIMEIRA QUESTÃO

Em primeiro lugar, parece que a vida contemplativa consiste somente em um ato do entendimento, já que o objetivo desta vida está em alcançar a verdade. Ora, a verdade pertence somente ao entendimento, de modo que se segue que a vida contemplativa consiste somente em um ato do entendimento.

Ademais, a vida contemplativa tem sido chamada, pelos homens santos, de um estado de lazer. Aristóteles também a descreveu como um feriado. Ora, o lazer e a isenção do trabalho são opostos à ação, a qual deriva da vontade. De um modo semelhante, portanto, a vida contemplativa parece ser oposta à ação procedente da vontade, e consiste somente no entendimento.

Ademais, há qualidades tais como a sabedoria e o entendimento, que conduzem a vida contemplativa à maturidade, e estas pertencem ao domínio do conhecimento. Por causa disto parece seguir-se que a contemplação em si mesmo consiste somente no entendimento, porque sempre existe uma proporção entre as operações e os seus hábitos. Porém, contra estas razões, Santo Isidoro escreve que

"a vida contemplativa é aquela
que é desimpedida de todo negócio humano,
e se delicia somente no amor de Deus".

Se isto é assim, a vida contemplativa não consiste apenas no conhecimento, porque o amor está relacionado com os afetos. E ademais, assim como a vista está para o entendimento, assim o sabor pertence ao apetite.

São Gregório, porém, escreve que

"a vida contemplativa
confere um sabor interior
da felicidade futura".

Portanto, a vida contemplativa não consiste somente no entendimento.  


SEGUNDA QUESTÃO

Parece, entretanto, que a vida contemplativa consiste em uma operação da razão, porque a vida contemplativa é uma vida humana, e assim deve ser conduzida de um modo humano. Ora, pertence ao modo dos homens agirem segundo a razão, como animais racionais, e portanto a vida contemplativa consiste principalmente no raciocínio.

Ademais, a vida contemplativa consiste principalmente no conhecimento das coisas divinas. Mas as coisas invisíveis de Deus

"são claramente vistas,
compreendidas a partir das coisas
que foram feitas",

conforme diz o Apóstolo na carta aos Romanos. Mas pertence ao trabalho da razão deduzir deste modo conclusões a partir dos dados que lhe são oferecidos.  Mais ainda, Ricardo de São Vítor escreve que

"o vôo de nosso espírito
na contemplação
varia de muitos modos.
Ora eleva-se das coisas inferiores
para as superiores;
ora desce das superiores
para as inferiores;
ora procede da parte para o todo,
ora do todo para a parte;
ora argumenta a partir
de uma verdade maior,
ora a partir de uma menor".

A vida contemplativa, portanto, parece consistir primariamente em um ato da razão, porque este movimento da mente exige o uso da razão.Porém, ao contrário, São Bernardo sustenta que

"a consideração difere do exame
na medida em que o último
refere-se mais à inquisição,
enquanto que a primeira
é a verdadeira e certa visão da mente".

Ora, tal visão pertence à inteligência, enquanto que a inquisição, por outro lado, pertence à razão. Segundo os ensinamentos de São Bernardo, portanto, a vida contemplativa consiste não em um ato da razão, mas em um ato da inteligência. Ademais, Aristóteles sustenta, em sua Ética, que
"pela contemplação
assemelhamo-nos a Deus".

Fazemos isto, porém, mais pela visão da inteligência do que pela investigação do raciocínio, de onde que a vida contemplativa consiste apenas em um ato da inteligência.  

TERCEIRA QUESTÃO

Finalmente, parece que todo ato da inteligência pertence à vida contemplativa. Pois, assim como há uma proporção entre a vida ativa e as coisas a serem feitas, há também uma relação entre a vida contemplativa e as verdades a serem conhecidas. Todos os atos, porém, que dizem respeito à primeira pertencem à vida ativa, de onde que também todos os atos da última pertencem à vida contemplativa. Ademais, a vida contemplativa, de acordo com Aristóteles na Ética,

"consiste na consideração
da Filosofia".

Ora, a faculdade que contempla a realidade, o domínio específico da Filosofia, é a inteligência, de onde que a contemplação consistirá nas operações da inteligência. Mais ainda, Ricardo de São Vítor fala de seis gêneros de contemplação. O primeiro é alcançado quando, refletindo sobre a beleza das coisas materiais, admiramo-nos com a sabedoria divina. Quando buscamos suas causas, temos o segundo gênero. O terceiro é encontrado quando nos elevamos das coisas visíveis às invisíveis. E quando abandonamos a imaginação e nos ocupamos somente com verdades puramente inteligíveis, temos o quarto gênero. Subimos um degrau a mais quando meditamos no que sabemos não a partir da razão humana, mas a partir da revelação divina. O mais alto grau da contemplação é alcançado quando consideramos as maiores verdades que parecem inclusive contradizer a razão humana. Ora, nestes gêneros de contemplação estão incluídos todos os atos de nossa inteligência, de onde que cada ato desta última deve pertencer à vida contemplativa. Porém, ao contrário, Santo Isidoro diz que

"a vida contemplativa,
renunciando ao mundo,
deleita-se de viver
somente em Deus".

Ora, viver somente para Deus exige a contemplação somente de Deus. Portanto, não é toda operação da inteligência que pertence à vida contemplativa.

Ademais, a vida contemplativa e a felicidade contemplativa parecem dizer respeito ao mesmo objeto. Ora, a felicidade contemplativa consiste apenas na consideração do ser mais nobre e inteligível, que é Deus, conforme afirma Aristóteles na Ética.  

PRIMEIRA SOLUÇÃO

Respondo à primeira questão dizendo que a vida sobre a qual estamos agora falando consiste naquela operação para a qual o homem é principalmente destinado, para alcançar a qual ele remove todos os impedimentos e busca e persegue todas as coisas que favorecerão o seu adiantamento. Esta faculdade deve ser a vontade, cuja função é aceitar um curso de ação humano em vez de outro, qualquer que seja esta ação. Ora, como a vontade é o motor das demais faculdades da alma, deve possuir uma relação para com o objeto e para com os atos das demais faculdades somente na medida em que eles possuem uma bondade por si mesmos, pois cada ato próprio de uma faculdade é o seu bem. Deste modo, a vida contemplativa consiste em um ato do entendimento precedido de algum modo pelo desejo.

Como, porém, uma operação é, de algum modo, um intermediário entre a pessoa que age e o objeto, como perfeição do cognoscente e ela mesma aperfeiçoada pelo objeto que a especifica, assim a contemplação pode ser desejada de dois modos.

De um primeiro modo, é desejada como perfeição do cognoscente, procedendo deste modo do amor de si mesmo, como foi o caso da vida contemplativa dos filósofos. De um segundo modo, é desejada por ser atraída pelo objeto e tal desejo da contemplação se origina no amor do objeto, porque para onde se dirigem os afetos, para lá se voltam os olhos, conforme diz a Escritura:

"Onde estiver o teu tesouro,
ali também estará o teu coração".
 Mt. 6, 21

Deste modo, a vida contemplativa dos santos, sobre a qual estamos considerando, faz uso da vontade. No entanto, apesar disto, a contemplação consiste essencialmente em um ato do entendimento; pressupõe a caridade, porém, pelo motivo explicado. É assim que encontramos São Gregório dizendo que
"a vida contemplativa preserva o amor de Deus
e o amor do próximo com toda a nossa força,
e repousa da atividade exterior de tal modo que agora,
não mais agradando-lhe a atividade exterior,
e tendo desprezado os cuidados terrenos,
a alma é consumida pelo desejo
de ver a face de seu Criador".

Como resposta à primeira objeção, respondemos que o propósito da contemplação, estritamente considerado, é apenas a verdade. Mas na medida em que a contemplação é considerada como um modo de vida, torna-se algo desejável e um certo bem, conforme foi dito acima.

Respondemos à segunda objeção dizendo que a vontade não é somente uma força motiva para os movimentos exteriores que são repugnantes ao estado de lazer, mas também é uma força motiva para os movimentos internos, até para o próprio movimento da inteligência. Aristóteles afirma, no terceiro do De Anima, que

"estes são movimentos
equivocamente falando,
porque são atos perfeitos e,
portanto,
assemelham-se mais a algo em repouso
do que a algo em movimento".

Por conseguinte, aquele que se entrega à busca intelectual é dito desistir da ação externa, conforme é claro pela autoridade mencionada.

Como resposta à terceira objeção dizemos que embora os hábitos da vida contemplativa sejam intelectuais, suas ações podem ser preceituadas ou aprovadas pela vontade. Deste modo a contemplação consiste também nelas.  

SEGUNDA SOLUÇÃO

À segunda questão devemos responder que a vida contemplativa consiste na operação que o homem escolhe de preferência às demais. Trata-se, portanto, de um certo fim em relação a outras operações humanas, já que estas são feitas por causa daquela.

Ora, assim como a investigação da razão procede de uma intuição da inteligência, já que no homem a investigação parte de princípios apreendidos pela inteligência, assim também ela termina com uma certeza da inteligência, quando as conclusões a que ela chega são reduzidas aos princípios sobre os quais repousa a sua certeza. A vida contemplativa, portanto, consiste principalmente no ato da inteligência, o que é implicado pela própria palavra contemplação, palavra que significa visão. O contemplativo, entretanto, se utiliza da razão discursiva para chegar àquela visão da contemplação que é o seu principal objetivo, e é este raciocínio que São Bernardo chama de inquisição.

Respondemos, portanto, à primeira objeção dizendo que assim como os animais alcançam o limite da natureza humana pela sua faculdade instintiva, a mais elevada faculdade do mundo animal, pela qual os animais agem de um modo semelhante aos homens, assim também, na medida em que o homem é um contemplativo, torna-se mais do que um homem. A razão é que na operação do entendimento que advém com a simples visão, o homem alcança o limite daqueles seres superiores a si mesmo que são chamados anjos e puras inteligências.

À segunda objeção devemos responder dizendo que embora as coisas visíveis sejam meios para a contemplação das verdades divinas, ainda assim a contemplação não consiste principalmente nesta vida, mas na vida que há de vir.

À terceira objeção respondemos que Ricardo de São Vitor não quis dizer que a vida contemplativa consiste principalmente nestes vários movimentos da mente, mas que ela os move como meios que se ordenam a um fim.  

TERCEIRA SOLUÇÃO

Em resposta à terceira solução, devemos dizer que a vida contemplativa dos homens santos pressupõe o amor do objeto contemplado do qual ela surge. Segue-se daqui que, como a vida contemplativa consiste na operação que é mais intencionada, deve ser também acerca do objeto mais amado, que é Deus. De onde que a vida contemplativa consiste principalmente em uma operação da inteligência acerca de Deus. Lemos, de fato em São Gregório que

"a vida contemplativa
suspira ver apenas o seu Criador,
a saber, Deus".

No entanto, na medida em que se ordenam a Deus, o contemplativo considera também outras coisas. Considera as criaturas, admirando nelas a majestade, a sabedoria e a bondade divinas, a partir de cujas reflexões cresce em seu amor a Deus. Considera também seus próprios pecados, dos quais sua alma purificou-se para poder ver a Deus.

A própria palavra contemplação significa aquele ato principal pelo qual o homem contempla a Deus em si mesmo, enquanto que especulação designa melhor o ato pelo qual alguém vê a Deus, como em um espelho, nas coisas criadas. Do mesmo modo, a felicidade do contemplativo de que os filósofos falam também consiste na contemplação de Deus. De fato, conforme diz Aristóteles em sua Ética,

"A contemplação consiste
no ato da mais elevada faculdade
que há em nós,
isto é,
a inteligência;
e também no mais nobre objeto,
que é Deus".

Este é o motivo pelo qual os filósofos reservavam a última parte de suas vidas para a contemplação das coisas divinas, enquanto que no tempo precedente dedicavam-se ao estudo das demais ciências de modo que, partindo destas especulações, pudessem estar melhor capacitados para o estudo da divina.

Quanto à primeira objeção, deve-se dizer que não há nenhuma ordem natural entre os atos da vida ativa como há entre os atos da vida contemplativa. Portanto, não se pode dizer com rigor que a vida ativa consiste principalmente em algum ato único. Em relação a um homem individual, porém, a vida ativa consistirá principalmente no ato que ele mais freqüentemente pratica, na medida em que alguns dão maior atenção às obras de justiça, outros às de auto domínio, e assim sucessivamente.

À segunda objeção respondemos que Aristóteles, na autoridade mencionada, refere-se à Filosofia estritamente considerada, isto é, o conhecimento das coisas divinas, que é chamada pelo nome especial de Filosofia Primeira.

Nossa resposta à terceira objeção é que embora o contemplativo ocasionalmente considere aqueles gêneros de contemplação que Ricardo de São Vítor enumera, a vida contemplativa, no entanto, não consiste principalmente neles. 

...

"Se a vida contemplativa consiste somente em um ato de entendimento" - Comentário ao III Livro das Sentenças de Pedro Lombardo (Distinção XXV, Q. I, A. 2) - Santo Tomás de Aquino

Escolha melhor a sua trilha sonora

Detalhe do quadro Amor Vincit Omnia, de Caravaggio
A boa música é uma das maiores conquistas da humanidade. Uma relação harmônica entre ritmo e melodia pode não apenas contribuir para ordenar e equilibrar ciclos e ritmos corpóreos, mas também e principalmente para impressionar de forma positiva a mente humana.  
Acredito que por meio do ritmo a música traz benefícios ao organismo físico, e a melodia, por sua vez, beneficia a mente e o espírito.  A melodia tem uma influência decisiva na expansão do imaginário e, portanto, na construção do conhecimento e no aperfeiçoamento da inteligência.
Todo este potencial deixa evidente a importância da escolha da trilha sonora da nossa vida.
É claro que não existe uma regra geral que funcione para todos, mas é claro também que é possível encontrar certa hierarquia entre as obras, que justifique algumas escolhas e isso nada tem a ver com o gosto pessoal, que certamente vai variar de cabeça para cabeça. O importante é perceber que existe diferença de qualidade entre as músicas. Ou será que podemos colocar Bach e os pagodeiros no mesmo saco?
Insistindo que não existe fórmula mágica, pretendo apenas compartilhar um método de elevação da cultura musical que aprendi com um grande amigo, violonista de grande talento que foi editor de partituras da Orquestra Experimental de Repertório. Disse ele certa vez que devido à massificação da música popular de baixa qualidade, nossa cultura musical dificulta a absorção da música erudita e que para superar esta deficiência basta seguir três dicas bem simples:
1 – Escolha, dentre os clássicos, aquele que mais agrada aos seus ouvidos e ouça até enjoar. Perceba a ordem, a velocidade, os tempos; identifique os instrumentos, os timbres e os silêncios; repita a melodia mentalmente, muitas vezes, até que todos os movimentos estejam “decorados”.
2 – Procure saber o que as pessoas que entendem do assunto dizem sobre a obra, conheça a vida do compositor e o seu tempo. Perceba as formas utilizadas, pesquise a nomenclatura e a finalidade prática da obra na época de sua composição.
3 – Conheça obras relacionadas, da mesma época, do mesmo gênero; pesquise as influências e os influenciados. Sem perceber, seu universo musical vai se ampliar significativamente e os efeitos de ordem física serão apenas benefícios paralelos perto do bem que você vai fazer à sua inteligência.
Em poucas semanas você vai sentir a diferença. A má notícia é que você não vai mais suportar ouvir rádio.

O Leviatã

Destruição de Leviatã - Gustave Doré

Seja por meio de novas leis, seja pela cultura de massa ou pelo consenso científico, a cada dia a vida humana obedece a mais e mais formas de controle. Hoje, praticamente todas as atitudes humanas são controladas pelo Estado -- e ao que parece isso tende a piorar. Esta entidade abstrata formada por pessoas cuja maioria nem sequer conhecemos pode definir se o que fazemos é ou não é permitido, é ou não é condenável. E nós aceitamos, mesmo quando se tratam de condutas consagradas pela tradição ou que dizem respeito exclusivamente ao indivíduo... 

Como forma de expandir o poder do Estado e enfraquecer a resistência, a individualidade está perdendo espaço para o coletivismo e com isso a mediocridade planejada tende a imperar; o nivelamento das mentes deve gerar menos sábios e muito mais burros, e onde existe burrice coletiva a vida perde seu significado e sua importância. Junte esta dessensibilização com o poder absoluto do Estado e você terá um inferno na terra. Nesse ritmo, é isso que nos espera. Deus nos proteja.

O argumento definitivo

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A Leitura – A. D. Sertillanges

A Leitora, de1892 -  José Ferraz de Almeida Júnior
Trabalhar significa aprender e significa produzir: em ambos os sentidos, o trabalho requer longa preparação, porque produzir é um resultado, e só aprende, em matéria árdua e complexa, quem primeiro atravessou o simples e o fácil: “devemos correr para o mar por meio dos regatos, e não de repente”, diz S.Tomás. Ora, a leitura é o meio universal para aprender, e é a preparação próxima ou remota para toda a produção.

Nunca pensamos isoladamente: pensamos em sociedade, em colaboração imensa; trabalhamos com os trabalhadores do passado e do presente. Graças à leitura, pode comparar-se o mundo intelectual a uma sala de redação ou repartição de negócios, onde cada qual encontra no vizinho a sugestão, o auxílio, a critica, a informação, o ânimo de que carece.Portanto, saber ler e utilizar as leituras são necessidade primordial que o homem de estudo não deve esquecer. 

Primeira regra: lede pouco. Em 1921, no jornal Le Temps, Paulo Souday que, pelo visto, se queria vingar de mim nalguma coisa, agarrou-se a este preceito: "lede pouco", e pretendeu descobrir nele laivos de ignorantismo. O leitor, se leu o jornal, sabe o valor daquela crítica e, sem dúvida, Paulo Souday também o sabia. Eu não aconselho a restringir parvamente a leitura: tudo quanto fica dito protesta contra semelhante interpretação. Queremos formar um espírito largo, praticar a ciência comparada, manter o horizonte aberto diante de nós, o que não se consegue sem muita leitura. Mas muito e pouco só se opõem no mesmo terreno. Aqui, é preciso muito absolutamente, porque a obra é vasta; mas pouco em relação ao dilúvio de escritos de que a mais insignificante especialidade sobrecarrega hoje bibliotecas e as almas. 

Proscrevemos, sim, a paixão de ler, a ânsia, a intoxicação por excesso de nutrição espiritual, a preguiça disfarçada que prefere ao esforço a freqüentação fácil. A "paixão" da leitura, de que tantos se prezam como de preciosa qualidade intelectual, é tara, é paixão em tudo semelhante às demais paixões que absorvem e perturbam a alma, retalhando-a de correntes confusas que lhe esgotam as energias. Leia-se com inteligência, não com paixão. Vamos aos livros como a dona de casa vai à praça, depois de cumpridas as ocupações quotidianas de acordo com as leis da higiene e da boa administração. A dona de casa não vai à praça com o mesmo intuito com que vai à noite ao cinema. O mesmo sucede com a leitura: é questão, não de gozar e de se embriagar, mais de governar e administrar bem a casa.

A leitura desordenada não alimenta, entorpece o espírito, torna-o incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção; exterioriza-o no seu interior, se assim se pode dizer, e escraviza-o às imagens mentais, ao fluxo e refluxo das ideias que ele se limita a contemplar na atitude de simples espectador. É embriaguez que desafina a inteligência e permite seguir a passo os pensamentos alheios e deixar-se levar por palavras, por comentários, por capítulos, Por tomos.

A série de excitações assim provocadas arruina as energias, como a constante vibração estraga o aço. Não esperemos trabalho verdadeiro de quem cansou os olhos e as meninges a devorar livros; esse encontra-se, espiritualmente, em estado de cefalalgia, ao passo que o trabalhador, senhor de si, lê com calma e suavidade somente o que quer reter, só retém o que deve servir, organiza o cérebro e não o maltrata com indigestões absurdas.

Ide antes dar um passeio, ler no livro imenso da natureza, respirar o ar fresco, distrair-vos.

A. D. Sertillanges - Trecho de A Vida Intelectual

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