O fundamento das liberdades



“Ele (o escritor) terá de realizar a viagem, enfrentar a chance de ser mais um náufrago, especialmente se a incompreensão atingir o seu relacionamento com esse sujeito desconhecido chamado “o leitor”. Ao mesmo tempo que quer conversar com essa alma única, há a intenção de ser amado pelas multidões. Com muita dificuldade, descobre que isso é quase impossível, a não ser que envileça seu trabalho: a multidão, se alguma vez conseguir escutá-lo, deve estar induzida a um entusiasmo lúcido e sereno – em um estado de liberdade oposto ao seu estado comum, em geral tomado pelo frenesi coletivo e fortuito. Descobre enfim que a sua conversação com o leitor se dá no silêncio, na solidão da leitura da qual se forma a verdadeira consciência individual, na liberdade interior que fundamenta todas as outras liberdades da sociedade.”
– Martim Vasques da Cunha ( A Poeira da Glória)

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