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20 de set de 2011

O Pensamento Mágico


A Feiticeira limpava toda a casa, passava roupa, mudava os móveis de lugar e lustrava o assoalho sem qualquer esforço, apenas balançando a ponta do nariz.  Por vezes a realidade parece nos cansar de tal forma, que desejamos mesmo estas soluções “mágicas”. Seria mesmo ótimo poder lidar com os problemas do cotidiano de forma tão simples. Por vezes desejamos, como fuga, algumas soluções de certa forma parecidas como aquelas mostradas no engraçado seriado dos anos 60. Até aí, tudo bem. O problema surge quando o indivíduo começa a acreditar nesse “pensamento mágico”.

Pensar de forma mágica é acreditar que uma recomendação, uma ordem ou uma lei são suficientes para a concretização de um objetivo. Um exemplo é o sujeito que acredita que ao impedir o uso de uma palavra o mal que ela representa irá desaparecer. Algo como bater com a varinha de condão ou quando a Feiticeira balançava a ponta do seu nariz. E toda essa história de “Politicamente Correto” é isso... É pensamento mágico levado aos limites do absurdo.

Esta forma de ver o mundo, apesar de às vezes parecer apenas ingênua, está ficando perigosa porque dominou a cabeça da nossa classe pensante (!) e se alastra como doença – algo que de fato é, de acordo com a Psiquiatria.

Repare no número de proibições legais e culturais que o “pensamento mágico” nos trouxe; repare na infinidade de mudanças que o “politicamente correto” trouxe às nossas vidas; preste atenção à imbecilização da nossa sociedade (que tende a piorar, dado o rigor do politicamente correto, que se aperta feito uma espiral sem fim...) 

Repare em tudo isso e depois compare com aquele que, na minha opinião, é o principal índice de selvageria:
50.000 assassinatos por ano. E pra isso não adianta balançar o nariz. 



10 de set de 2011

Desafio - A fraude do aquecimento global


Este é um assunto que já deveria ter sumido da pauta, mas como a mídia emburrecedora continua insistindo na teoria do aquecimento global antropogênico, lanço aqui um desafio.

Desafio qualquer adepto da religião do aquecimento global dos últimos dias a prever as condições da natureza no planeta Terra daqui a um ano. Como eles vivem prevendo o que vai acontecer daqui a 500 ou 600 anos, deve ser moleza, já que os fatores diminuem sensivelmente.

Algum “especialista” se habilita?

19 de ago de 2011

O RacioSÍMIO de um inteleQUITUAL

Momento "Filosofando"

Vladimir Safatle, que não é filósofo de maneira alguma, mas ocupa uma cadeira na Faculdade de Filosofia da USP e espaço na Folha de São Paulo, escreveu uma bobagem chamada Colapso Moral, que começa assim:

Aqueles que se vêem como excluídos da sociedade
não têm razão alguma para obedecer às suas normas.  

Isso mesmo. Leia de novo. Pode parecer brincadeira, mas não é. 

Pela lógica deste que Gramsci chamaria de intelectual orgânico, e que Lênin nomearia "idiota útil", quem não concorda com as leis de uma sociedade pode desrespeitá-la sem pestanejar.

Seguindo este racioSÍMIO, aposentadoria para invasores do MST, bolsa-reclusão para criminosos e comendas de direitos humanos para quem promove a pedofilia passam a ser aceitáveis e até "normais". O desdobramento dessa lógica primata, no entanto, leva a conseqüências ainda mais estúpidas - e moralmente perigosas. Só um exemplo: quem discordar das leis que regulam a propriedade pode roubar sem qualquer cerimônia e com a consciência bem tranqüila;

Mas como não poderia deixar de ser, o pseudo-filósofo-marxista-militante não está sozinho, sua provável "ídola", Marta Suplicy, disse algo parecido, também na Folha (coincidência?).

Quando comecei esta postagem tinha mais para escrever, mas creio que estes dois casos bastam para mostrar as causas desta imoralidade que reina no Brasil dos nossos dias.

PS: Graças ao bom Deus não tenho nenhum parente ou amigo estudando na USP...


14 de jul de 2011

Onde estão os excelentes?

Novo paradigma: cego guiando cegos

Tenho pensado bastante no panorama político internacional, que parece caminhar para desastres econômicos no Ocidente e para o surgimento de novas ditaduras no Oriente Médio, isso sem falar de uma iminente grande guerra. O compromisso de manter esse blog atualizado sempre que possível contribuiu para ordenar as idéias e complementá-las com mais pesquisas e estudos, já que não posso desrespeitar meus leitores, que além de leiais, mostram-se muito qualificados nos comentários e e-mails.

Em todo o mundo vejo a estabilidade desaparecendo do dia-a-dia das pessoas para dar lugar a hábitos, costumes e crenças sem nenhuma relação com nossa cultura e que, pior ainda, nada trazem de benefícios reais. Ouso dizer que nunca, na história humana, o mundo foi liderado por seres tão desprezíveis, mesquinhos, sem caráter e sem inteligência. O que tenho notado com muita freqüência é que por trás das atitudes políticas irresponsáveis e desonestas está uma profunda decadência intelectual e moral não apenas das lideranças, mas também das populações e das instituições representativas. 

As causas desta marcha da vaca (ou ovelha?) para o brejo me parecem bem evidentes: as ideologias modernas minaram a capacidade intelectual da maioria das pessoas expostas a seus venenos e armadilhas cognitivas. Mesmo entre os melhores noto certa impotência mental, certo desânimo, que em alguns chega ao niilismo estúpido e irresponsável, feito ovelhas caminhando rumo ao precipício (ou brejo?) - mééééééé. 

Por essas e outras, eu pergunto: Onde estão os excelentes?

...

Um texto sábio. Leia.

O Homem-Massa

Numa boa ordenação das coisas públicas, a massa é o que não actua por si mesma. Tal é a sua missão. Veio ao mundo para ser dirigida, influída, representada, organizada – até para deixar de ser massa, ou, pelo menos, aspirar a isso. Mas não veio ao mundo para fazer tudo isso por si. Necessita referir a sua vida à instância superior, constituída pelas minorias excelentes. Discuta-se quanto se queira quem são os homens excelentes; mas que sem eles – sejam uns ou outros – a humanidade não existiria no que tem de mais essencial, é coisa sobre a qual convém que não haja dúvida alguma, embora leve a Europa todo um século a meter a cabeça debaixo da asa, ao modo dos estrúcios para ver se consegue não ver tão radiante evidência. Porque não se trata de uma opinião fundada em factos mais ou menos frequentes e prováveis, mas numa lei da  " física "  social, muito mais incomovível que as leis da física de Newton. No dia em que volte a imperar na Europa uma autêntica filosofia – única coisa que pode salvá-la –, compreender-se-á que o homem é, tenha ou não vontade disso, um ser constitutivamente forçado a procurar uma instância superior. Se consegue por si mesmo encontrá-la, é que é um homem excelente; senão, é que é um homem-massa e necessita recebê-la daquele.

Ortega y Gasset -  A Rebelião das Massas

11 de jul de 2011

Tostines



Os telespectadores são todos uns idiotas que só querem ver programas idiotas e por isso na televisão só há programas idiotas, ou os idiotas que escolhem, escrevem e produzem os programas idiotas acreditam que seu público é tão idiota quanto eles e por isso vai gostar da sua programação idiota?
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10 de jul de 2011

Brasil, um país de fofoqueiras


O Ataúro, blog do meu amigo Cirilo, fez esta semana uma postagem interessante, bastante representativa e que demonstra um fato que nos leva a algumas deduções lógicas.

Cirilo comenta uma notícia que encontrou por aí:

Briga de Panicats vai para a Justiça: "Vamos ver quem vai rodar!"
Depois de ser acusada por Nicole Bahls de sacrificar animais para macumba, Juju Salimeni diz que já acionou seu advogado.

A primeira e mais evidente dedução da notícia pinçada pelo Cirilo trata da inegável decadência da imprensa e do jornalismo - com raríssimas exceções. Esta queda na qualidade dos meios de comunicação é tão visível que alguns enfoques dados a notícias de destaque não eram nem sequer imaginados poucas décadas atrás. Uma rápida análise nos temas e assuntos que a imprensa achou por bem destacar e chegamos a duas possibilidades: ou o povo brasileiro é um bando de fofoqueiros obsessivos, ou os jornalistas é que o são, e fazem suas escolhas pensando que o povo comunga de seu gosto vulgar.

Se a primeira dedução parte da forma que se dá a informação, uma segunda dedução utiliza como evidência o  conteúdo da mensagem. O termo celebridade, no mundo de hoje, inverteu seu significado. Célebre é aquele que fez algo de notável e não aquele que pretende fazer algo de notável após a conquista da celebridade. Esta inversão dos valores tem raízes muito profundas, que precisariam de uma explicação mais ampla, mas seus objetivos são visivelmente ideológicos e alinhados com outras ações - entre elas a destruição da linguagem, da qual falei na postagem anterior.

Tanto na forma como no conteúdo, o exemplo do Ataúro reúne o que existe de mais significativo na desgraçada imprensa de nossos dias: vulgaridade, futilidade, imbecilidade, valorização do inútil e incapacidade de perceber a beleza, a justiça e a bondade - na definição dos antigos gregos, " Apeirokalia ".  Exatamente por isso a postagem do Cirilo é perfeita para ajudar a compreender o estágio em que estamos e o futuro negro que nos espera, já que não me parece provável um imediato desvio de rota. 

PS: O Cirilo gentilmente me coloca como aquele que grita contra a burrice contemporânea e isso muito me agrada, afinal o intuito do meu blog é contribuir para incentivar a inteligência e difundir conhecimento, e uma das formas que encontrei foi "escancarar para exterminar" as burrices, principalmente as minhas.

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9 de jul de 2011

O papel da linguagem

Dá para aprender com alguém ensinando errado?

O mais importante sucesso de uma revolução ocorrerá quando uma nova filosofia de vida for ensinada para todos e, se necessário, mais tarde forçada sobre eles. (...) A principal tarefa da propaganda é ganhar o povo para a nova organização. A segunda é a ruptura do estado de coisas existente permeando-o com a nova doutrina.

Adolf Hitler
(Mein Kampf)

A língua é o principal elemento agregador e unificador de um grupo humano. Sem um código bem estruturado, disseminado entre toda população ou, ao menos, entre a maioria, nenhum progresso pode ser verificado porque o conhecimento está fundado justamente no acúmulo e transmissão de informações objetivas. Se a linguagem de uma sociedade não consegue manter-se como parâmetro e como “universal” entre seus membros, ela deixa de ser uma ferramenta indispensável e torna-se uma alegoria inútil desta mesma sociedade.

Em uma postagem anterior eu me referi ao absurdo que é um livro didático que prega a indiferença entre o acerto e o erro, algo tão óbvio que a própria discordância já cria outro absurdo.

E não é que tem gente que discorda deste fato que julgo óbvio?

Pois bem, um comentário e dois e-mails recorrem ao mesmo artifício, que consiste em afirmar que, do ponto de vista da lingüística, aceitar uma “inadequação da linguagem" – um eufemismo para erro – faz parte do estudo “social” da linguagem. Mesmo que este estudo fosse mesmo relevante – e eu tenho minhas dúvidas quanto a isso – ele cabe exclusivamente ao ambiente acadêmico, as crianças e adolescentes nada tem a ver com isso e precisam de professores que os corrijam quando errarem.

O próprio conceito de aprender tem relação direta com a verdade e com a diferenciação entre acertos e erros. Ao abrir mão da correção, todo conceito de educação perde o sentido porque deixa de lado este que é seu principal fundamento. Aprender é aprender o certo. Fora dessa idéia só existe vigarice ou incompetência intelectual - no Brasil atual, as duas coisas.

Se alguns intelectuais orgânicos insistem em ver nos erros ortográficos e gramaticais as “características intrínsecas da expressão popular”, paciência, mas alunos devem aprender o que é certo e não devem ser prejudicados pela masturbação ideológica de seus mestres fajutos. Um livro didático que faz apologia ao erro e tira a importância do “saber o certo” deveria causar a demissão de todos os funcionários públicos envolvidos, inclusive e principalmente o Ministro da Educação, cujos absurdos são recorrentes (desastres no ENEM, provas ideológicas, cartilha gay, livros sem o Piauí, com dois Paraguais etc).

Cui Bono?

Muitas vezes fico perplexo com as notícias da educação no Brasil, mas não deveria. Tanta incompetência e descalabro nos órgãos que comandam a educação no país não é coincidência, azar ou punição dos deuses. É plano!

Os números indicam que as crianças brasileiras estão entre as mais inteligentes do mundo. Nossos universitários, por sua vez, ocupam os últimos lugares nos testes educacionais, ao lado de Zambia, Zaire, Haiti, Serra Leoa... 

O número de professores universitários no Brasil é proporcionalmente maior até do que os EUA, que têm a melhor educação do mundo; e nossas verbas para a educação pública não estão tão distantes das maiores potências. Mesmo assim, nossa maior universidade nem aparece na lista das 200 melhores do mundo.

O que isso significa? Que nossas escolas estão emburrecendo nossos jovens, ou seja, o plano está funcionando! 

Para entender absurdos como esses que afligem a educação das crianças e dos jovens brasileiros é necessário, mais uma vez, perguntar: cui bono? A quem interessa? Quem se beneficia com a destruição do sistema educacional?

Quem acompanha o que escrevo sabe que tenho alertado sobre a sistemática destruição dos pilares que sustentam nossa sociedade. Este plano tem muitas frentes e várias batalhas. Entre as mais importantes estão a educação e a linguagem, e isso pode ser explicado por meio de uma regra muito simples, já confirmada pela História: para implantar uma nova civilização, é necessário destruir não apenas "as coisas" da civilização atual, mas os conceitos que as fundamentam.

Quando uma palavra que denomina um conceito deixa de existir ou passa a ter outro significado, o próprio conceito que esta representa deixa também de existir ou passa a significar outra coisa completamente diferente, na maioria das vezes em consonância com os interesses dos poderosos.

A linguagem é uma forma de poder. Quem controla a linguagem tem o poder de influenciar as atitudes e as decisões das pessoas. A ditadura do politicamente correto é um exemplo: sacralizou umas palavras e demonizou outras. E nesse meio tempo deu poder a quem as representava na mente da opinião pública. Palavras como "sustentabilidade", "coletivo" e "social" passaram a definir o bom caráter de quem as proferisse, mesmo quando não significavam absolutamente nada. Por outro lado, chamar alguém de "conservador" passou a ser ofensa. Isso ainda predomina na imprensa e nas ruas.

Antonio Gramsci, um dos maiores idealizadores da burrice contemporânea, o homem que planejou detalhadamente a destruição da sociedade ocidental utilizando a cultura foi bem claro nesse aspecto. O italiano sabia da importância da linguagem como ferramenta revolucionária e deixou muitos escritos explicando como implodir a linguagem, a tradição e a cultura da nossa sociedade. Fazer apologia ao erro, como o livro aprovado pelo Ministério da Educação do Brasil, corresponde perfeitamente à execução deste plano maldito.

Pensamento de Manada:

O fato de que uma multidão de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato "filosófico" bem mais importante e "original" do que a descoberta, por parte de um "gênio filosófico", de uma nova verdade que permaneça como
patrimônio de pequenos grupos intelectuais
Antonio Gramsci
(Concepção Dialética da História)

Para saber mais sobre a revolução cultural gramsciana, leia: 

17 de jun de 2011

As origens da burrice contemporânea


Pode parecer estranho, mas acredito que a burrice que contamina o mundo de hoje tem, ao menos sob dois aspectos, origem relacionada à Igreja Católica, mas não pelas mentiras que contam seus inimigos. O problema, a meu ver, é mais embaixo.

Como sabem os que me conhecem ou freqüentam este blog, não caio nas bobagens dos que dizem ser a Igreja Católica inimiga da Ciência, e até já escrevi aqui sobre isso. Se os exemplos de Copérnico e Galileu não bastarem, o livro do Thomas Woods elimina qualquer dúvida. Acontece que a burrice e a vulgaridade que empestearam a nossa sociedade nada mais são do que conseqüências, não da ação da Igreja, mas da sua falta de ação. 

Desde pouco antes da Reforma, mas principalmente no século XVIII, quando os debates científicos começaram a acontecer fora da Igreja, as mentes privilegiadas de Roma não deram a devida importância ao desenrolar dos acontecimentos, e a influência dos autores anticlericais, anticatólicos e até mesmo anticristãos foi crescendo sem qualquer oposição consistente. 

Enquanto padres, bispos e cardeais, além de abdicar da exposição pública aquelas respostas que já estavam assimiladas a todos os membros da Igreja, ainda contribuíram produzindo matéria-prima para o adversário, como foi o caso de Guilherme de Okcham com sua navalha, que após alguns séculos decepou a capacidade de perceber os diferentes níveis causais, comprimindo-os, sempre, na mais simplória delas, a causa material.  
 A Igreja criou armas para seu adversário e, ao omitir-se, contribuiu com o avanço da burrice.

É  evidente que a Igreja não é a única culpada pelo atual estado de coisas. Muito longe disso. Creio que a intelectualidade tem culpa ainda mais evidente e mais condenável. Contribuíram para o desastre intelectual da nossa época os filósofos Descartes, ao exigir a demonstração para o indemonstrável; e Kant, ao separar o inseparável. Ambos inteligentíssimos, cometeram um equívoco no início do raciocínio, uma escolha de premissas falsas, e com a influência que tiveram, seus erros foram levados aos limites do absurdo. Com a ajuda de doentes mentirosos como Marx, e doentes geniais como Nietzsche, a cultura foi contaminada por raciocínios avessos à realidade e cada vez mais distantes da verdade. Teorias inverossímeis, improváveis e até impossíveis passaram a fazer sentido dentro de um universo mental coletivo repleto de premissas falsas. 

Resumindo a culpabilidade da Igreja, sua omissão facilitou a difusão e aceitação de bobagens, seja sobre a Igreja e a religião, seja sobre a própria realidade. Por outro lado, muitos pensadores que saíram do Cristianismo se afastaram do que havia de melhor no pensamento cristão ao tentarem se afastar de tudo que estava relacionado à Igreja Católica. O Cristianismo, como estava simbolizado pelo Catolicismo, sofreu com os ataques à Igreja. E todo mundo saiu perdendo.

Esse afastamento dos valores da Igreja como forma de afastar-se da instituição Igreja, do qual a Igreja é vítima, mas os algozes também o são, além de abandonar todas as conquistas da tradição, levou à errônea interpretação de que o universo é caótico e sem sentido, o que leva, inapelavelmente, à desesperança, depressão, suicídio e outras maravilhas da modernidade, ao mesmo tempo que restringe miseravelmente o horizonte congnocível . O ateísmo dos nossos dias nasce aqui, assim como nascem neste momento todas as teorias modernas que pregam a impossibilidade do conhecimento verdadeiro. Nos dois casos limita-se a capacidade de conhecimento que dispomos, pela nossa própria natureza, e transforma o estudo, a filosofia e a ciência em uma masturbação mental que só pode ser usada ideologicamente, com um fim político. Abandona-se a verdade para fazer política, exatamente como ensinou Gramsci, um estrategista do emburrecimento coletivo.

Pelos frutos, conhecereis a árvore

Hoje, quem raciocina de acordo com o bom senso e a ordem natural da realidade é desprezado pela academia, que tem mais compromissos burocráticos do que necessidades cognitivas; e ignorado pela mídia, que busca justificar sua ignorância alegando desinteresse do público. 

Quando olhamos o desenrolar de todo este processo, que culminou na era mais estúpida da História, para entender a origem de tanta burrice, vemos que durante alguns séculos este distanciamento esteve disperso por toda Europa e toma corpo no Iluminismo e vai evoluindo até chegar em Karl Marx, que aproveita alguns truques de Hegel para criar uma ferramenta de transformação da sociedade. Marx não era um gênio, mas não era burro, era um vigarista. Aproveitou-se da cisão entre razão e emoção proposta por Kant - que a propôs apenas como método de estudo e não como aplicação prática -, para justificar a idéia de uma sociedade materialista - a princípio, já que Marx não era ateu, mas um satanista conforme comprovam cartas que enviou ao seu filho.

Eu poderia finalizar este texto afirmando que a influência de Karl Marx na intelectualidade moderna é a causa de toda estupidez, mas estaria simplificando ao extremo. Poderia dizer também que a origem da burrice é o Iluminismo, mas não estaria sendo preciso. Estes contribuíram imensamente para esse avacalhado mundinho moderno, mas a burrice contemporânea, a qual eu agrego o sentido de baixaria, vulgaridade, desinteresse, irrelevância e futilidade, surge antes, o Iluminismo apenas a condensou e a modernidade marxista a transformou em um método.

O panorama onde surge o Iluminismo era rico e exótico. As idéias das mentes iluminadas ajudaram a agregar todas as formas de manifestação anticatólicas, das mais racionais às mais obscuras. É neste ambiente que surgem as idéias de um estado totalitário e emerge o poder das sociedades secretas, que vão mudar a política para sempre. Afinal, onde existe a necessidade do segredo e da incompreensão, a ignorância torna-se uma ferramenta de poder.  Pense nisso.

Cui Bono
A quem interessa essa burrice toda?

15 de mai de 2011

Estrutura da realidade

Considero a existência de Deus um fato inquestionável, porque auto-evidente, e não uma questão de fé.  As evidências são tantas e tão diversas que a própria percepção trata de captar de imediato esta confirmação, sem necessidade de raciocínio reflexivo. Prova disso é que todos os grandes pensadores que utilizaram a lógica para demonstrar a existência de Deus a fizeram apenas como forma de entender e confirmar teoreticamente aquilo que já percebiam.
Acho realmente muito estranho que nos últimos duzentos anos o número de mentes incapazes de perceber as evidências expressas na própria estrutura da realidade tenha aumentado tanto. Creio que o avanço da vulgaridade e o rebaixamento das capacidades intelectuais do homem moderno têm muito a ver com este distanciamento da Verdade, que deveria estar sendo usada para alcançar novos conhecimentos, já que, como ensinou Aristóteles, para se chegar a uma verdade, antes é necessário conhecer outra verdade, e  assim sucessivamente, até que por fim, se chegue à Verdade Suprema, que estrutura todas as outras. Esta Verdade, nada mais é, que a existência de Deus, a estrutura da realidade.

30 de abr de 2011

Doutor, o que devo comer?

Acabo de completar 40 anos, e durante minha vida já assisti a classe médica comprovar, com teorias inquestionáveis e métodos infalíveis, que o ovo fazia mal para a saúde do ser humano. Logo depois, a mesma classe superior e sábia comprovou que na verdade o ovo não fazia mal à saúde, o que fazia mal era o vinho. E também o azeite. Mais tarde, com base em fundamentos extremamente sólidos e argumentos irrefutáveis, declararam que o açúcar - meu Deus do Céu! - é um perigo assustador. Comer uma jujuba passou a ser um sacrilégio e os doutores acharam melhor indicar para seus pacientes adoçantes cancerígenos que matam neurônios e provocam leucemia e linfoma em ratos. Como são sábios, logo perceberão sobre isso... E os prejudicados? Ora, os prejudicados devem entender que a nobre ciência precisa de cobaias para testar sua sabedoria.

 Quanto tempo vai demorar para exaltarem os benefícios do açúcar refinado e condenarem, sei lá, o chuchu?
Parece brincadeira, mas damos a esta classe profissional o status de líderes sagrados da civilização, de seres supremos cujos erros de interpretação, de cálculo e até mesmo históricos são perdoados e aceitos para, logo em seguida, embarcar em outra teoria cuja credibilidade está, como sempre, fundada unicamente na sua irrefutabilidade. É o que a garante de pé.
Para que fique claro, incluo aqui médicos, farmacêuticos e professores universitários, mas condeno principalmente os formadores de opinião dentro das grandes universidades, os diretores científicos das grandes farmacêuticas, os editores científicos e os acadêmicos com alcance de mídia e cujas recomendações acabam por influenciar as condutas de toda sociedade de forma compulsória. Os primeiros apenas repetem seus ídolos. O segundo grupo é mais perigoso exatamente por isto. 
Os médicos, e cientistas em geral, são profissionais como todos os outros, cada um especializado em sua área e com funções que se complementam para formar a sociedade. Não cabe a nenhuma classe profissional o direito de definir a conduta de toda sociedade baseando-se em teorias que podem estar erradas, como a História já mostrou diversas vezes.

29 de abr de 2011

O Chupim

O Molothrus bonariensis, mais conhecido no Brasil como chupim (ou ainda pelos nomes de anu, anum, arumará, azulão, azulego, boiadeiro, brió, carixo, catre, chopim-gaudério, corixo, curixo, corrixo, corvo, engana-tico, engana-tico-tico, gaudério, godério, godero, gorrixo, grumará, iraúna, maria-preta, negrinho, papa-arroz, parasita, parasito, pássaro-preto, uiraúna, vaqueiro, vira, vira-bosta e vira-vira) é uma ave passeriforme da família Icteridae. Possui um canto suave e melodioso, e é famoso pelo habito de colocar seus ovos no ninho de outras aves, para que as mesmas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los.

Qualquer semelhança com os novos bolsistas, com nossa classe artística, com nossos políticos ou com a imprensa financiada por meio de anúncios estatais, será mera coincidência.

28 de mar de 2011

A cultura brasileira e os megalomaníacos chupins

Narciso (1594-1596), por Caravaggio

Um país precisa de alta cultura e de cultura popular. Para se preservar como nação e perseverar como povo, ambas as formas de manifestação cultural são absolutamente necessárias. Quando uma destas espécies de conhecimento deixa de existir, surge um vácuo que não pode ser preenchido pela outra espécie. Cria-se então um simulacro para ocupar o espaço vazio e, desde então, perde-se o parâmetro comparativo e perde-se o critério analítico.
No Brasil não existe alta cultura há décadas. Nossos antepassados não foram substituídos à altura e o seu vácuo foi preenchido pelo pseudo-intelectual, uma entidade que pode se manifestar como um artista popular acima da média, um revolucionário erudito que leu seis livros ou ainda como o repetidor profissional, o tipo que compõe a maioria e que Lênin gostava de chamar de idiota útil.
Para piorar essa equação, durante o Governo Militar a censura contribuiu para que os falantes falassem menos. Esta dieta poupou os brasileiros de ouvir muita bobagem (Reinaldo Azevedo explica muito melhor AQUI e AQUI) e isso iludiu muita gente, inclusive este que vos escreve.
Duas ausências, portanto, determinaram a nossa má sorte: a ausência dos verdadeiros intelectuais, que foram morrendo ou envelhecendo; e a ausência das tolices dos pseudo-intelectuais. Neste panorama, foi fácil para o Brasil pensar que estava diante de gênios-santos quando na verdade eram mentes medianas e de moral duvidosa. O problema é que eles acreditaram que eram santos e passaram a exigir culto. E receberam através da fama, da idolatria, dos discos de ouro, dos preços dos ingressos... Hoje o culto exige Leis de Incentivo.
Com o fim da censura e a chegada da Internet muita coisa mudou. A inépcia intelectual, a cultura de almanaque, as incoerências e contradições ficaram evidentes. Mentiras sobre Cuba, União Soviética, China e outras ditaduras sangrentas cantadas em prosa e verso por nossos Iluministas, quando desmascaradas, revelaram ignorância e/ou projetos ideológicos por parte de nossos santos-gênios. E este é apenas um exemplo...
Acostumados aos cachês milionários e aos convites para opinar sobre tudo e sobre todos, nossos protótipos de sábios revoltam-se diante da menor indignação. Sua megalomania foi alimentada por décadas de subcultura e agora se sentem ofendidos quando o público rejeita suas obras, ou melhor, rejeita pagar por elas.
Os chiliques são comuns. Ao menor sinal de desaprovação, a versão tupiniquim do intelectual-orgânico de Gramsci reage furiosamente feito moleque mimado porque acredita pertencer a uma casta privilegiada, que merece ser sustentada por todas as outras. Mesmo as camadas mais miseráveis da sociedade devem fazer um esforço para sustentar a casta dos iluminados, formada pelos pseudo-intelectuais e pelos artistas estatizados.
Toda essa história com o Blog do Milhão serve de exemplo. Os defensores da mamata não apenas pensam que o povo é obrigado a financiar os projetos dos ilustres, eles também acreditam que aqueles que não aprovam sua nobre arte são fascistas.
Dá pra discutir com esses chupins?


22 de mar de 2011

O politicamente correto e os idiotas


Utilizar a linguagem como arma psicológica de dominação não é uma idéia nova. Goebbels substituiu algumas palavras e eliminou outras que incomodavam o projeto nazista. Antes, na União Soviética, quando Hitler ainda sonhava ser artista, Lênin transformou o significado de algumas palavras e proibiu outras tantas. Gramsci – que aprendeu com Marx - também ensinou a destruir a linguagem como forma de implantação de “uma nova ordem” social e cultural. E Maquiavel ensinou que o Príncipe deve, mais do que utilizar as palavras de maneira conveniente, convencer seu povo a usá-las conforme a sua conveniência.
O que estes crápulas sabiam é que quando a linguagem declina, a capacidade de compreensão da realidade diminui na mesma intensidade. Quem não compreende os fatos não pode avaliar, não pode comparar, não pode reagir. Mas pode – e será! – manipulado.
Essa onda do politicamente correto não é espontânea, não é “moderna” e não é bacana. É uma idéia satânica criada nos anos 70 e aperfeiçoada nas décadas seguintes por influentes acadêmicos de universidades americanas ligadas aos grupos globalistas.  Seu objetivo é destruir a capacidade cognitiva impondo regras morais contrárias às regras que regem a linguagem e a comunicação das pessoas. Esta técnica psicológica já estava nos estudos de Pavlov e foi aperfeiçoada em diversos experimentos controlados por programas governamentais como o MK Ultra ou por organismos privados como o Tavistock Institute desde os anos 40 e pelo menos até a década de 1960. Os russos e chineses também estudaram bastante esse assunto e suas ditaduras usaram muitas destas técnicas.
Comprovada sua velhice e a má-fé que a originou, passemos então à sua estupidez. Como funciona a destruição da linguagem pelo “politicamente correto”? Em que consiste, de fato, esse troço?
Consiste, na esmagadora maioria das vezes, em substituir uma palavra por uma expressão “não-significante”, vazia, ou por uma palavra que possui outro significado. Afro-descendente não é negro.  A Charlize Theron é afro-descendente e é mais loira que a Xuxa. Só aí já dá para perceber como é falha essa substituição.
O politicamente correto toma a figura de linguagem como fato. O eufemismo como descrição objetiva. Seus defensores acreditam na idéia de que excluir uma palavra pode eliminar um problema, uma estupidez tão absurda que só uma burrice coletiva sem precedentes pode explicar.
Esse patrulhamento na linguagem se enraizou na nossa cultura, na imprensa e até na literatura. Gerou uma nova forma de censura, muito pior, subliminar, rasteira, que só fortalece a hipocrisia, a falsidade, o puxa-saquismo.
Seguir essa onda idiota, que se replica como vírus, demonstra insegurança, necessidade de aprovação e incapacidade intelectual. Além de confundir o intelecto e limitar a imaginação e o raciocínio, o maldito "politicamente correto" ainda traz um problema maior, de ordem moral: obriga a mentir!
Você está vendo um gordo; sabe que é um gordo; gordo, no dicionário, quer dizer exatamente aquilo que você está vendo, mas para não desagradar os patrulheiros da estupidez, você mente: “horizontalmente avantajado”.
Um exemplo mais sério: quando as palavras que indicam objetos “não-sensíveis” são esquecidas ou substituídas, os conceitos que elas representam vão para o poço do esquecimento já na próxima geração. Conceitos como saudade, misericórdia, compaixão podem desaparecer da vida cotidiana das pessoas por séculos, para depois serem restauradas após uma convulsão causada pela repressão de instintos naturais.  E isto é apenas um dos males dessa doença que infesta toda sociedade ocidental.
Eu vejo a burrice contemporânea, que já é histórica, como conseqüência da destruição da linguagem, um resultado que prova a eficácia de um plano diabólico.

15 de mar de 2011

A era da estupidez

O objetivo secundário deste blog é demonstrar como a nossa cultura contemporânea está contaminada por fórmulas de raciocínio limitadas, ingênuas e pueris. Além de fornecer matéria-prima de qualidade para quem pretende estudar por conta própria, tenho interesse em observar, e tentar entender, a decadência cultural, moral e intelectual que a cada dia avança a passos largos em todo o planeta. 
Ando espantado com esta decadência, que começou há muito tempo, mas que nos dias que seguem acelera progressivamente, evidenciando que o caminho que seguimos agora certamente nos levará ao abismo.  Esta rápida contaminação pela estupidez não afeta apenas o cidadão médio, os trabalhadores e os estudantes. A burrice contemporânea contaminou principalmente os acadêmicos, a imprensa e as forças políticas que controlam os aparatos culturais e educacionais. 
Como se não bastassem a ignorância e os erros de interpretação da realidade e dos fatos históricos, o establishment científico, educacional e midiático se arroga um poder que não possui: o de definir, regular e proibir condutas que dizem respeito exclusivamente ao indivíduo.  Ou seja, não me importo com a burrice dos professores universitários e cientistas que nada percebem da realidade quando formulam suas teorias, minha preocupação começa quando estas teorias esdrúxulas e incompatíveis com a experiência começam a embasar atitudes mais sérias como legislar, condenar, proibir e prender. Pense nisso!

26 de abr de 2010

Apeirokalia - Olavo de Carvalho

Em um mundo de burrice imoral, mais um texto necessário.
 
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Como geralmente se entende por educação superior o simples adestramento para as profissões melhores, conclui-se, com acerto, que toda pessoa normal é apta a recebê-la e que, na seleção dos candidatos, qualquer elitismo é injusto, mesmo quando não resulte de uma discriminação intencional e sim apenas de uma desigual distribuição da sorte. Mas se por essa expressão se designa a superação dos limites intelectuais do meio, o acesso a uma visão universal das coisas, a realização das mais altas qualidades espirituais humanas, então existe dentro de muitos postulantes um impedimento pessoal que, mais dia menos dia, terminará por excluí-los e por fazer com que a educação superior, no sentido forte e não administrativo do termo, continue a ser de fato e de direito um privilégio de poucos.
 
Esse impedimento, graças a Deus, não é de ordem econômica, social, étnica ou biológica. É um daqueles males humanos que, como o câncer e as brigas conjugais, se distribuem de maneira mais ou menos justa e eqüitativa entre classes, raças e sexos. É o único tipo de imperfeição que poderia, com justiça, ser invocado como fundamento de uma seleção elitista, mas que de fato não precisa sê-lo, pois opera essa seleção por si, de maneira tão natural e espontânea que os excluídos não dão pela falta do que perderam e chegam mesmo a sentir-se bastante satisfeitos com o seu estado, reinando assim entre os poucos felizes e os muitos infelizes uma perfeita harmonia, salvaguardada pela distância intransponível que os separa.
 
O impedimento a que me refiro não é material ou quantificável. O IBGE não o inclui em seus cálculos e o Ministério da Educação o ignora por completo. No entanto ele existe, tem nome e é conhecido há mais de dois milênios. A mente treinada reconhece sua presença de imediato, numa percepção intuitiva tão simples quanto a da diferença entre o dia e a noite.
 
Os gregos chamavam-no apeirokalia. Quer dizer simplesmente "falta de experiência das coisas mais belas". Sob esse termo, entendia-se que o indivíduo que fosse privado, durante as etapas decisivas de sua formação, de certas experiências interiores que despertassem nele a ânsia do belo, do bem e do verdadeiro, jamais poderia compreender as conversações dos sábios, por mais que se adestrasse nas ciências, nas letras e na retórica. Platão diria que esse homem é o prisioneiro da caverna. Aristóteles, em linguagem mais técnica, dizia que os ritos não têm por finalidade transmitir aos homens um ensinamento definido, mas deixar em suas almas uma profunda impressão. Quem conhece a importância decisiva que Aristóteles atribui às impressões imaginativas, entende a gravidade extrema do que ele quer dizer: essas impressões profundas exercem na alma um impacto iluminante e estruturador. Na ausência delas, a inteligência fica patinando em falso sobre a multidão dos dados sensíveis, sem captar neles o nexo simbólico que, fazendo a ponte entre as abstrações e a realidade, não deixa que nossos raciocínios se dispersem numa combinatória alucinante de silogismos vazios, expressões pedantes da impotência de conhecer.
 
Mas é claro que as experiências interiores a que Aristóteles se refere não são fornecidas apenas pelos "ritos", no sentido técnico e estrito do termo. O teatro e a poesia também podem abrir as almas a um influxo do alto. À música — a certas músicas — não se pode negar o poder de gerar efeito semelhante. A simples contemplação da natureza, um acaso providencial, ou mesmo, nas almas sensíveis, certos estados de arrebatamento amoroso, quando associados a um forte apelo moral (lembrem-se de Raskolnikov diante de Sônia, em Crime e Castigo), podem colocar a alma numa espécie de êxtase que a liberte da caverna e da apeirokalia.
Porém, com mais probabilidade, as experiências mais intensas que um homem tenha tido ao longo de sua vida serão de índole a desviá-lo do tipo de coisa que Aristóteles tem em vista. Pois o que caracteriza a impressão vivificante que o filósofo menciona é justamente a impossibilidade de separar, no seu conteúdo, a verdade, o bem e a beleza. De Platão a Leibniz, não houve um só filósofo digno do nome que não proclamasse da maneira mais enfática a unidade desses três aspectos do Ser. E aí começa o problema: muitos homens não tiveram jamais alguma experiência na qual o belo, o bem e o verdadeiro não aparecessem separados por abismos intransponíveis. Esses homens são vítimas da apeirokalia — e entre eles contam-se alguns dos mais notórios intelectuais que hoje fazem a cabeça do mundo.
Infelizmente, o número dessas vítimas parece destinado a crescer. Já em 1918, Max Weber assinalava, como um dos traços proeminentes da época que nascia, a perda de unidade dos valores ético-religiosos, estéticos e cognitivos. O bem, o belo e a verdade afastavam-se velozmente, num movimento centrífugo, e em decorrência
"os valores mais sublimes retiraram-se da vida pública, seja para o reino transcendental da vida mística, seja para a fraternidade das relações humanas diretas e pessoais... Não é por acaso que hoje somente nos círculos menores e mais íntimos, em situações humanas pessoais, é que pulsa alguma coisa que corresponda ao pneuma profético, que nos tempos antigos varria as grandes comunidades como um incêndio".
As duas fortalezas do sublime, que Weber menciona, não demoraram a ceder: a vida mística, assediada pela maré de pseudo-esoterismo que se apropriou de sua linguagem e de seu prestígio, acabou por se recolher à marginalidade e ao silêncio para não se contaminar da tagarelice profana. A intimidade, vasculhada pela mídia, violada pela intromissão do Estado, tornada objeto de exibicionismo histérico e de bisbilhotices sádicas, desapropriada de sua linguagem pela exploração comercial e ideológica de seus símbolos, simplesmente não existe mais.
Toda a literatura do século XX reflete esse estado de coisas: primeiro a "incomunicabilidade" dos egos, depois a supressão do próprio ego: a "dissolução do personagem". Mas, desde Weber, muita água rolou. Nas proximidades do fim do milênio, o que se entende por mística é um cerebralismo de filólogos; por intimidade, o contato carnal entre desconhecidos, através de uma película de borracha. Os três valores supremos já não são apenas autônomos, mas antagônicos. O belo já não é apenas alheio ao bem: é decididamente mau; o bem é hipócrita, pseudo-sentimental e tolo; a verdade, feia, estúpida e deprimente. A estética celebra os vampiros, a morte da alma, a crueldade, o macho que mete o braço até o cotovelo no ânus de outro macho. A ética reduz-se a um discurso acusatório de cada um contra seus desafetos, aliado à mais cínica auto-indulgência. A verdade nada mais é o consenso estatístico de uma comunidade acadêmica corrompida até à medula.

Nessas condições, é um verdadeiro milagre que um indivíduo possa escapar por instantes da redoma de chumbo da apeirokalia, e outro milagre que, ao retornar ao pesadelo que ele denomina "vida real", esses instantes não lhe pareçam apenas um sonho, que não se deve mencionar em público.

Mas nada proíbe um escritor de dirigir-se, em suas obras, aos sobreviventes do naufrágio espiritual do século XX, na esperança de que existam e não sejam demasiado poucos. Acossados pelo assédio conjunto da banalidade e da brutalidade, esses podem conservar ainda uma vaga suspeita de que em seus sonhos e esperanças ocultos há uma verdade mais certa do que em tudo quanto o mundo de hoje nos impõe com o rótulo de "realidade", garantido pelo aval da comunidade acadêmica e da Food and Drug Administration.

É a tais pessoas que me dirijo exclusivamente, ciente de que não se encontram com mais freqüência entre as classes letradas do que entre os pobres e os desvalidos.