A Feiticeira limpava toda a casa, passava roupa, mudava os móveis de lugar e lustrava o assoalho sem qualquer esforço, apenas balançando a ponta do nariz. Por vezes a realidade parece nos cansar de tal forma, que desejamos mesmo estas soluções “mágicas”. Seria mesmo ótimo poder lidar com os problemas do cotidiano de forma tão simples. Por vezes desejamos, como fuga, algumas soluções de certa forma parecidas como aquelas mostradas no engraçado seriado dos anos 60. Até aí, tudo bem. O problema surge quando o indivíduo começa a acreditar nesse “pensamento mágico”.
Pensar de forma mágica é acreditar que uma recomendação, uma ordem ou uma lei são suficientes para a concretização de um objetivo. Um exemplo é o sujeito que acredita que ao impedir o uso de uma palavra o mal que ela representa irá desaparecer. Algo como bater com a varinha de condão ou quando a Feiticeira balançava a ponta do seu nariz. E toda essa história de “Politicamente Correto” é isso... É pensamento mágico levado aos limites do absurdo.
Esta forma de ver o mundo, apesar de às vezes parecer apenas ingênua, está ficando perigosa porque dominou a cabeça da nossa classe pensante (!) e se alastra como doença – algo que de fato é, de acordo com a Psiquiatria.
Repare no número de proibições legais e culturais que o “pensamento mágico” nos trouxe; repare na infinidade de mudanças que o “politicamente correto” trouxe às nossas vidas; preste atenção à imbecilização da nossa sociedade (que tende a piorar, dado o rigor do politicamente correto, que se aperta feito uma espiral sem fim...)
Repare em tudo isso e depois compare com aquele que, na minha opinião, é o principal índice de selvageria:
50.000 assassinatos por ano. E pra isso não adianta balançar o nariz.



