8 de ago de 2018

O Brasil e a Nova Ordem Mundial - Alexandre Costa




"Em seu livro anterior, Introdução à Nova Ordem Mundial, Alexandre Costa apresentou-nos os principais personagens ligados aos diversos movimentos de tendências globalistas, trazendo a lume figuras e nomes, em grande parte, desconhecidos do grande público, mostrando que a ideia de domínio mundial é real e viva. Agora, neste novo livro, da mesma maneira didática e direta, o autor dá um passo adiante e faz-nos entender, não somente as origens práticas e intelectuais desses mesmos movimentos, mas também seu modus operandi. Nisto, ele presenteia-nos com a possibilidade de compreender um mundo que nos cerca, mas que não é imediatamente perceptível a mentes não treinadas - um mundo de manipulação e opressão. E quando isso já bastaria para dar-nos por satisfeitos, Alexandre Costa arremata seu trabalho incluindo uma análise, pioneira e impactante, de como o Brasil, em sua história e atualmente, enquadra-se no contexto da Nova Ordem Mundial. O que se encontra nas páginas deste livro é surpreendente, não apenas para quem se informa unicamente pelo noticiário cotidiano, mas mesmo para quem já se dispôs a entender mais profundamente o que ocorre no mundo." - Fabio Blanco, advogado e escritor.

Ficha Técnica do livro "O Brasil e a Nova Ordem Mundial", de Alexandre Costa:


Vide Editorial 
1ª Edição - 2018
Número de Páginas: 164 
Notas de rodapé: 178 
Prefácio: Luis Vilar
Texto 4ª Capa: Fabio Blanco
Texto Orelha: Cristian Derosa

Lançamento: setembro de 2018

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17 de jul de 2018

Bohemian Club




Encravado no meio de uma floresta no norte da Califórnia existe um clube misterioso onde bilionários, líderes políticos e executivos de primeiro time se reúnem todos os anos no mais absoluto segredo. O que parece a introdução de um conto de terror é na verdade a descrição precisa de um local onde algumas das pessoas mais poderosas do mundo costumam se reunir durante o solstício de verão do hemisfério norte. O evento tem acontecido há mais de um século e na maior parte desse tempo permaneceu nas sombras, sendo citado apenas em pequenas notas de jornal e sem merecer a devida atenção da grande imprensa. 


Sede urbana do Bohemian Clube, em São Francisco

O Bohemian Club, que fica em um bosque de 11 km², no pequeno Condado de Sonoma, na Califórnia, foi criado em 1872/73 por artistas, jornalistas e ricaços adeptos do Bohemianismo, uma espécie de hobby que consiste em praticas artísticas, musicais,  comportamentais e espiritualistas, com ênfase nas atividades  consideradas alternativas, marginais, ousadas e modernas. Ou seja, no início o Bohemian Club era uma espécie de precursor do movimento hippie, formado por magnatas, aristocratas e moderninhos ricos que também pregavam amor livre, álcool, experiências de alteração da consciência e exercícios espirituais que destoavam da moral e das religiões tradicionais.

O clube surgiu entre conversas no escritório do jornal San Francisco Chronicle e foi criado originalmente como um espaço para encontros furtivos em um ambiente urbano. No início as reuniões ocorriam no prédio que ainda abriga a sede social do clube, na cidade de São Francisco – curiosamente o mesmo edifício, aparentemente, abriga ou abrigou uma unidade da Sociedade Vedanta, uma tentáculo do Missão Ramakrishna.

 A prática do acampamento no bosque só apareceu seis anos após a fundação do clube, em uma festa dedicada ao ator inglês Henry Edwards, que acabava de fixar residência na Califórnia. Nos anos seguintes repetiram o acampamento em outros locais e em 1883 alugaram pela primeira vez o atual bosque cortado pelo Russian River. Em 1899 o clube comprou a propriedade.



Desde a sua fundação o Bohemian Club se caracteriza como um clube privado que preza pela discrição. Os encontros são anuais e seus membros permanecem fechados no clube por duas semanas inteiras (incluindo 3 finais de semana) no mês de junho (+ ou - no dia 21).

 Além dos fundadores, todos falecidos, cerca de 2700 membros ativos se dividem entre os “regulares”, que são aqueles que sustentam financeiramente o clube, os “profissionais” que também atuam na organização e manutenção das atividades, os “associados”, convidados do mundo das artes ou celebridades, e os “honorários”, eleitos pelos demais membros, mesmo que ainda não façam parte do clube. Ao menos no inicio era comum oferecerem um convite pontual, para um único encontro, quando algum estrangeiro famoso e “adequado” se encontrava nas imediações de São Francisco. Por ser extremamente restrita e cobiçada, a espera por uma vaga entre os regulares pode chegar a 15 anos.

Embora nos acampamentos só se tenha notícias sobre participantes do sexo masculino, entre os membros honorários encontram-se pelo menos quatro mulheres:  a atriz Elizabeth Crocker Bowers , as escritoras Ina Coolbrith e Sara Jane Lippincott, e Margaret Bowman, esposa do jornalista e poeta James  Bowman, um dos fundadores do grupo – o funeral dela ocorreu dentro do Bohemian.


Entre os fundadores do Bohemian Club encontram-se artistas, escritores, músicos e jornalistas. Alguns nomes famosos e outros nem tanto:

  • ·         Ambrose Bierce, escritor de contos de terror e autor de obras satíricas como o “Dicionário do Diabo”. Morreu de alcoolismo após sua esposa cometer suicídio.
  • ·         Henry George, pai do Georgismo, filosofia econômica progressista do final do século XIX.
  • ·         John C. Cremony, autor do primeiro dicionário da língua Apache.
  • ·         Arpad Haraszthy, escritor húngaro, de uma importante família da viticultura.
  • ·         Frederick Whymper, artista plástico inglês e explorador de sucesso. Existe uma montanha com seu nome no Canadá.
  • ·         Hiram Reynolds Bloomer, pintor.
  • ·         Edward Bosqui, escritor.
  • ·         James F. Bowman, poeta e jornalista.
  • ·         Samuel Marsden Brookes, pintor.
  • ·         Henry "Harry" Edwards, ator e entomologista.
  • ·         Sands W. Forman, jornalista.
  • ·         Paul Frenzeny, pintor e ilustrador.
  • ·         Benjamin F. Napthaly, jornalista.
  • ·         Daniel O'Connell, escritor e jornalista irlandês.
  • ·         JC Williamson, ator, diretor e empresário teatral.

Com o passar do tempo passaram a aceitar celebridades de outras áreas, como política, finanças e indústria. Aparentemente, após a década de 1930 o clube passou a restringir ainda mais os convites e a dar maior importância a membros poderosos e com mais influência política. Entre os membros honorários encontram-se nomes famosos como Jack London, Jennings Cox, criador do drink Daiquiri, Luis Walter Alvarez, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 1968, Glenn Theodore Seaborg , Prêmio Nobel de Química de 1951, Theodore Roosevelt, 26° presidente dos EUA e William T. Wallace, Procurador Geral e juiz da Suprema Corte americana.

A lista dos membros é bastante misteriosa, e muitas vezes controversa, como costuma acontecer com organizações desse tipo. Alguns nomes aparecem em listas e nunca foram confirmados, como Clint Eastwood, que supostamente esteve em um encontro nos anos 1980. Como convidados frequentes podemos destacar, com toda certeza, Henry Kissinger, que já foi fotografado em uma situação no mínimo constrangedora, Martin Anderson, assessor da Casa Branca, e entre os pontuais encontramos Nicholas F. Brady, Secretário de Estado, Helmut Schmidt. Chanceler Alemão, David Rockefeller, Warren Buffett, David Gergen, John Kluge, George Bush, pai e filho, Gerald Ford, Richard Nixon, Ronald Reagan, Bill Clinton e muitos outros executivos de primeiro nível como Samuel Armacost (Bank of America), Thomas Watson Jr.  e John Fellows Akers (IBM), Richard Morrow (Amoco) e Stephen Bechtel.

Também podemos saber com certeza alguns dos presidentes do clube:
  • ·         Paul Speegle (1973-75)
  • ·         Carl Arnold (1975-77)
  • ·         W. Palmer Fuller (1977-79)
  • ·         Michael Coonan (1979-81)
  • ·         Patrick O'Melveny (1981-83)
  • ·         William C. Mathews (1983-85)
  • ·         Harry H. Scott (1985-87)
  • ·         George Elliot (1987 -?)

Durante os encontros, os membros são distribuídos entre cerca de 120 "acampamentos", ou seja, unidades que servem de dormitório e lazer.  Segundo Cathy O'Brien*, a intenção declarada é proporcionar associações e “incentivar relacionamentos que visem ‘enriquecer’ a experiência”.

No meio de uma área descampada do clube existe uma estátua de uma coruja, com cerca de 12 metros, toda feita de pedra, e ao seu redor são reunidos os membros em diversas situações. A ave é a mascote do Bohemian e sua imagem está em toda parte, na entrada que leva ao bosque, nas salas de estar, no púlpito, na sede em São Francisco, e até na papelada que poucas vezes vazaram. Ao lado da coruja sempre encontramos a frase “Weaving spiders come not here”, que alguns pensam que significa que o clube não permite conversas sobre negócios, mas eu entendo como um aviso aos intrusos, que podem se enroscar na teia de aranha. O local é fortemente vigiado, com câmeras, sensores de movimento e repleto de seguranças armados.





São João Nepomuceno é uma espécie de patrono do clube. O santo, que viveu na região de Boêmia, hoje República Checa, era confessor da corte do rei Venceslau IV, no Século XIV, e foi morto porque não aceitou contar os segredos ouvidos no confessionário.

Logo na chegada os convidados e membros constituintes são recebidos e após sentarem-se de frente para a grande coruja participam de uma espécie de cerimônia macabra, conhecida como Cremação de Care, que consiste em um ritual repleto de símbolos pagãos (druidas), com velas, tochas, efeitos pirotécnicos, um sacerdote falando inglês arcaico e ajudantes vestidos de maneira a lembrar os antigos uniformes da Ku Klux Klan, e culmina com o que parece ser uma simulação de uma criança sendo queimada.  O documentário Dark Secrets: Inside Bohemian Grove, de Alex Jones registra essa cerimônia. A gravação ocorreu em junho de 2000, Alex pulou uma cerca e rastejou até o estacionamento, depois misturou-se aos membros que estavam chegando e foi levado em um veículo até o local da cerimônia. Segundo ele sua curiosidade sobre o clube surgiu quando pesquisava a Skull and Bones, sociedade secreta instalada na Universidade de Yale, de onde saíram vários políticos de destaque e alguns presidentes americanos, como os Bush.




Uma matéria da Revista Spy de novembro de 1989 diz que o objetivo desta bizarra recepção é simplesmente libertar os membros e prepara-los para os dias em que precisam esquecer-se da sua realidade cotidiana e se aproximar do mundo selvagem. Talvez por isso as acomodações, apesar de luxuosas e confortáveis, têm um aspecto antigo, exótico e bastante rústico. Peter Phillips, professor de sociologia, esteve no clube em 1994 como convidado e provavelmente por isso repete o porta-voz do clube, Alex Singer, que em 2013 disse que os encontros são apenas para reforçar laços entre os poderosos.


Além dos segredos e dos mistérios que originaram diversas lendas, pouco sabemos das atividades que ocorrem naquele lugar, mas assim como a sinistra cerimônia de recepção é possível encontrar na Internet fotos com evidente influência de rituais satânicos, além de registros de algo parecido com um baile de máscaras, com membros vestidos de mulher, maquiados como drag queens e visivelmente embriagados ou drogados.  


Outros relatos indicam que entre as sequoias do Bohemian Clube ocorreram muitas negociações internacionais e decisões políticas importantíssimas, que influenciaram a vida de todo planeta, como as reuniões ocorridas em 1942 envolvendo os cérebros por trás do Projeto Manhattan, responsável pela criação e produção da bomba atômica americana.

Infelizmente é difícil saber exatamente o que ocorre no Bohemian, mas devido ao clima de segredo e ocultismo envolvido, é quase certo que não deve ser algo muito bom.

Na próxima quarta-feira (18/07) vou participar de um hangout no canal do Daniel Ferraz, e vamos conversar sobre os mistérios envolvidos no Bohemian Club.

Fontes:
California Digital Newspapers Collection
Annuals os Bohemian Vol. VI – 1973 – 1987
Spy Magazine (novembro 1989, páginas 59-76) - Philip Weiss
Prison Planet Forum
Dark Secrets: Inside Bohemian Grove - Alex Jones
The Bohemian Grove and Other Retreats - G. William Domhoff
Who Rules America Today? - G. William Domhoff
Fritz Springmeier - Bloodlines dos Illuminati
Trance Formation of America - Cathy O'Brien

* Cathy O'Brien é esposa de Mark Phillips e autora do livro “Trance Formation of America”, de 1995, que aborda Programação Monarca, MK-Ultra, Projeto Bluebird, Operação Artichoke e outros assuntos relacionados a abusos psicológicos e sexuais, lavagem cerebral,  manipulação e controle mental. Não podemos acreditar em tudo o que ela diz, pois trata-se de um relato da sua experiência pessoal e não há tantas provas, mas creio que vale a pena conhecer seu testemunho e conferir a veracidade de cada afirmação. O mesmo vale para Alex Jones, G. William Domhoff , Fritz Springmeier . Tenho feito isso para o meu próximo livro, previsto para 2019.

1 de jul de 2018

Agenda 2030



Tendo em vista a repercussão de uma pequena postagem que fiz no Facebook e de um ótimo vídeo feito por Bernardo Küster a respeito da Agenda 2030, resolvi acrescentar algumas informações.

O que é a Agenda 2030?

Segundo a própria ONU, trata-se de “um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável”. Mas quem estuda os tentáculos globalistas sabe que esta descrição formal normalmente é um disfarce para iniciativas que visam estabelecer os parâmetros necessários à criação das condições para um governo mundial.
A sua pretensão é ser uma “Agenda Universal”, que estimule a ação de todos os países nos próximos 15 anos e foi estruturada sobre aquilo que eles chamam de “três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental”.

Apesar de oficialmente ter nascido após uma reunião entre chefes de Estado e de Governo e altos representantes que aconteceu na sede das Nações Unidas em Nova York (setembro de 2015), a Agenda 2030 é um desdobramento de agendas e de projetos anteriores, que podem ser rastreados até a Agenda 21, a Eco 92 e voltando ainda mais um pouco no tempo, a um relatório intitulado “Os limites do crescimento” (The Limits to Growth, feito por Donella e Dennis Meadows, Jørgen Randers e William Behrens III em 1972, sob encomenda do Clube de Roma e financiado pela Volkswagen. 



O trabalho foi traduzido para 30 idiomas e se tornou um best-seller com cerca de 30 milhões de exemplares vendidos. O casal Meadows também fundou o INRIC (Rede Internacional de Centros de Informação de Recursos, na sigla em inglês) e Instituto de Sustentabilidade. Tudo com apoio (e dinheiro) do Clube de Roma, um dos mais poderosos e influentes organismos globalistas, que defende o controle populacional, o aquecimento global e tem entre seus membros gente como Mikhail Gorbachev e Fernando Henrique Cardoso.



Essa origem remota da Agenda 2030 demonstra como esse tipo de iniciativa nunca surge espontaneamente, e sempre está acoplada a uma rede mais ampla de objetivos que costumam ser camuflados sob os mais variados disfarces.

Estes são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que se subdividem nas 169 metas que compõem a Agenda 2030:

  • Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
  • Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
  • Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
  • Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
  • Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
  • Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos
  • Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos
  • Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos
  • Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
  • Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
  • Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
  • Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
  • Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
  • Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
  • Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade
  • Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis
  • Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável


Apesar dos eufemismos e sutilezas, basta uma reflexão para notar como cada um desses ODS representa um avanço nas implantações desejadas pelos globalistas. Além de impor valores diferentes e algumas vezes contrários ao praticados pelas populações, enfraquece a autodeterminação dos povos e as soberanias nacionais. Ou seja, mais uma arma, poderosíssima, a serviço do governo mundial totalitário que estão tentando nos enfiar goela abaixo.


Vídeo do Bernardo Küster






28 de jun de 2018

A Exemplar Família de Itamar Halbmann - Minha leitura



Mesmo para um leigo como eu, parece bem claro que uma das funções da literatura é registrar acontecimentos de forma a permitir que narrativas, verídicas ou ficcionais, possam estabelecer parâmetros e possibilidades futuras no imaginário do leitor.

Histórias e estórias servem para mostrar as condições humanas e refletir sobre elas. Biografias e relatos possuem a virtude de expor os pensamentos que mesmo quando extremamente originais se repetem com frequência e costumam delimitar uma época. A estréia do editor Diogo Fontana no outro lado do balcão cumpre à risca este propósito, e vai além.

Tudo começa como um exercício de escrita que busca aperfeiçoar a técnica apoiando-se em um dos grandes escritores de todos os tempos, Honoré de Balzac. A começar pelo título, e avançando pelo método descritivo minucioso e preciso, Diogo consegue captar o leitor logo nas primeiras linhas usando uma lente de aumento em um recorte da sociedade durante um período tortuoso e complexo da nossa História recente.

O cotidiano de uma família é descrito com uma enxurrada de detalhes e os personagens são tão reais que certamente o leitor conhece alguém exatamente como eles. Itamar e Silvana Halbmann circulam por aí. Circulam nos tribunais, nas salas de aula, nos restaurantes finos e no Facebook, e durante o período relatado no livro eles ficaram ainda mais evidentes.

Apesar do eixo da trama se desenrolar em Curitiba, com recuos e avanços que mudam a geografia momentaneamente, análogos da família podem ser encontrados, muito provavelmente, em Porto Alegra, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte -- em São Paulo eu tenho certeza absoluta.

O momento escolhido pelo autor, mesmo contemporâneo, já pode ser visto como um período histórico brasileiro. E exatamente por estar ainda fresco na memória podemos perceber o quão verdadeiro e sincero é o relato.

Tratando de registrar os anos de precipitaram uma profunda mudança no panorama político, a narrativa oferece também matéria prima para uma profunda observação cultural.

Toda hipocrisia de uma classe social que se julga acima das demais é escancarada lentamente, em cada cena, em cada drink ou em cada indignação, sincera, fingida ou forçada pelo círculo social. Sem panfletar sobre o tema, o livro impõe um olhar sobre a família de esquerdistas ricos, os revolucionários de butique que lucram com a causa sem demonstrar um pingo de remorso ou compaixão.

A observação da trajetória e do cotidiano dos Halbmann oferece ao leitor um diagnóstico do pensamento hegemônico e do discurso que influenciam nossa sociedade há pelo menos quatro décadas. Os acontecimentos políticos desmascaram o que estava escondido sob o manto da “justiça social”, da defesa dos “direitos das minorias”, do “amor aos pobres”, mas também revela como funciona o autoengano na cabeça daquilo que ficou conhecido como “esquerda caviar”.

Através dos Halbmann, Diogo Fontana reproduz uma época, e mais que isso, mostra como funcionam os meandros da hegemonia intelectual dita progressista. Tudo de forma absolutamente verossímil e consistente, que alcança a perfeição quando a personagem aproveita a folga proporcionada pela greve para preparar, com a ajuda da empregada, evidentemente,  um bouef bourguignonne, que eu confesso nem saber o que é.  Outro ponto alto da verossimilhança é uma postagem de Facebook que aparenta tanta realidade que eu desconfio que tenha mesmo existido. E não faltou nem o Iphone.

Mudando agora o foco para evitar o spoiler, vale ressaltar que além do conteúdo importantíssimo e tão bem manuseado pelo autor, a forma com que toda essa gama de informações é tratada também merece elogios. Mesmo com a leveza de um texto fluído e agradável, Diogo usa recursos variados que vão da crônica de costumes às nobres ferramentas de descrição introspectiva de grandes romancistas, passando por uma espécie de jornalismo detalhista, na melhor definição deste termo.

Finalizando, A Exemplar Família de Itamar Halbmann é um texto leve sem ser superficial, sério sem ser chato, um mergulho em uma época que aparentemente representará um desvio de rota. Um texto impecável que estrutura uma narrativa detalhadíssima que, entre outras coisas, descreve com precisão a fonte do poder na guerra cultural. Tenho certeza que este livro servirá como guia para a compreensão de um período decisivo na história brasileira. Leiam!

Título: A Exemplar Família de Itamar Halbmann 
Autor: Diogo Fontana 
Editora: Danúbio



18 de jun de 2018

O Clube de Bilderberg - Parte 1

Hotel Bilderberg, em Oosterbeek - Holanda


No início da década de 1950 um político polonês chamado Józef Retinger convenceu o Príncipe Bernardo de Lippe-Biesterfeld a criar um grupo de discussão estratégica com o objetivo de unificar projetos e amenizar tensões dentro da “comunidade do Atlântico”. Retinger era um aristocrata com passagem pela inteligência britânica e foi um dos fundadores do Movimento Europeu, gênese da União Européia.  Devido à credibilidade e enorme rede de contatos dos dois, poucos anos depois, em maio de 1954, o então Príncipe Consorte dos Países Baixos presidiu o primeiro encontro, que aconteceu em Oosterbeek, na Holanda, no Hotel Bilderberg, que deu nome ao clube. Nesta primeira conferência estiveram presentes 50 pessoas de 11 países da Europa Ocidental e 11 norte-americanos, entre eles David Rockefeller, que foi incumbido de preparar um documento de base sobre as perspectivas para a economia mundial do ponto de vista dos EUA. Hugh Gaitskell, líder do Partido Trabalhista inglês, ficou responsável pela visão europeia.

Jim Tucker (1934 - 2013)


Desde então as reuniões tornaram-se anuais, com exceção do período de 1954-1959, quando ocorreram oito eventos (dois em 1955 e dois em 1957). Durante muito tempo as reuniões permaneceram na sombra, e era negada inclusive a sua existência. Em meados da década de 1970 um jornalista de Washington começou a investigar aqueles encontros que reuniam a elite política, das finanças e da mídia. Como era de se esperar, Jim Tucker, autor de Bilderberg Diary, foi chamado de teórico da conspiração e lunático, mas devido à sua insistência no final do século XX outros jornalistas e pesquisadores começaram a perceber que algo de muito estranho deveria estar acontecendo para que uma reunião com tantas celebridades fosse desprezada por praticamente todos os veículos de comunicação. Um desses novos curiosos foi Daniel Estulin, um russo cuja família foi exilada da antiga União Soviética, que passou a rastrear os passos dos Bilderberg junto com Tucker e outros menos famosos. Pouco tempo depois o livro “A verdadeira história do Clube Bilderberg” de Estulin, jogaria luz sobre o assunto e mudaria até mesmo a postura do grupo, que diante da polêmica gerada passou de secreto para discreto.

Continua...

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