A Conspiração Aberta, de H. G. Wells



Lançamento: A Conspiração Aberta, de H. G. Wells - Vide Editorial - Setembro de 2016

Chega ao Brasil o clássico do autor britânico Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells. Indicado por Olavo de Carvalho e por muitos estudiosos, este trabalho é imprescindível para a compreensão dos ideais que mais tarde foram se cristalizando na cultura e na política ocidental. Por sua importância histórica e informativa, merece atenção e permite compreender alguns objetivos dos intelectuais e políticos da Nova Ordem Mundial. Por ser um dos membros mais proeminentes da Sociedade Fabiana, este livro, em nova edição da Vide Editorial, oferece ao leitor um conjunto de informações indispensável para entender o mundo em que vivemos. Não deixe de ler! Entenda como funciona a mente dos Socialistas Fabianos.

Nas palavras do próprio autor: "Este livro afirma tão nítida e claramente quanto possível as ideias essenciais de minha vida, a perspectiva de meu mundo. … o assunto deste livro é o destino de todo homem...'

Mais informações: http://rarosdaweb.org/index.php?route=product/product&product_id=285

Capa do livro "A Conspiração Aberta", de Herbert George Wells

Sinopse de "A Conspiração Aberta" - HG Wells
"Este livro é uma espécie de manifesto, um guia sobre controle e administração global; um programa que, para Wells, deveria ser orquestrado (e assim obteria sucesso) através daquilo que ele chamou de ""Conspiração Aberta"".
 
Neste trabalho, a conspiração está completamente esquematizada: ela deveria ser executada por diversas organizações separadas, mas que trabalhassem juntas, ao invés de ser feita por um grupo apenas.
 
Os tópicos abordados vão desde a ideia da conspiração até detalhes de sua implementação, tais como a função da religião e da educação nesse esquema, o modo como ele deveria se desenvolver - de um movimento de discussões e debates à programação de atividades -, a vida humana tal como deveria se dar na nova e planejada comunidade global - entre outros."
 
Ficha Técnica do livro Conspiração aberta:
Número de Páginas: 206
Dimensões do Livro: 14 x 21 cm

ÍNDICE DO LIVRO:

I – A CRISE ATUAL NAS QUESTÕES HUMANAS
II – A IDEIA DA CONSPIRAÇÃO ABERTA
III – TEMOS QUE CLAREAR E LIMPAR NOSSAS MENTES
IV – A REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO
V – A RELIGIÃO NO NOVO MUNDO
VI – A RELIGIÃO MODERNA É OBJETIVA
VII – O QUE A HUMANIDADE TEM QUE FAZER
VIII – CARACTERÍSTICAS GERAIS DE UM MUNDO CIENTÍFICO PELO BEM DA PÁTRIA
IX – NENHUMA UTOPIA ESTÁVEL É AGORA CONCEBÍVEL
X – A CONSPIRAÇÃO ABERTA NÃO DEVE SER PENSADA COMO UMA ÚNICA ORGANIZAÇÃO; É UMA CONCEPÇÃO DE VIDA DA QUAL ESFORÇOS, ORGANIZAÇÕES E NOVAS ORIENTAÇÕES SURGIRÃO
XI – FORÇAS E RESISTÊNCIAS NAS GRANTES COMUNIDADES MODERNAS AGORA PREVALENTES, QUE SÃO ANTAGÔNICAS À CONSPIRAÇÃO ABERTA. A GUERRA COM TRADIÇÃO.
XII – A RESISTÊNCIA DOS POVOS MENOS INDUSTRIALIZADOS PARA A MOVIMENTAÇÃO DA CONSPIRAÇÃO ABERTA
XIII – FORÇAS ANTAGÔNICAS E RESISTÊNCIAS EM NOSSO EU CONSCIENTE E INCONSCIENTE
XIV – A CONSPIRAÇÃO ABERTA COMEÇA COMO UM MOVIMENTO DE DISCUSSÃO, EXPLICAÇÃO E PROPAGANDA
XV – INÍCIO DO TRABALHO DE CONSTRUÇÃO DA CONSPIRAÇÃO ABERTA
XVI – MOVIMENTOS EXISTENTES E EM DESENVOLVIMENTO QUE CONTRIBUEM À CONSPIRAÇÃO ABERTA E QUE DEVEM DESENVOLVER UMA CONSCIÊNCIA COMUM. A PARÁBOLA DA ILHA DO PASTO
XVII – A CASA CRIATIVA, GRUPO SOCIAL E ESCOLA: O ATUAL DESPERDÍCIO DE VONTADE IDEALISTA
XVIII – A EVOLUÇÃO PROGRESSIVA DAS ATIVIDADES DA CONSPIRAÇÃO ABERTA NUM CONTROLE DO MUNDO E BEM PÚBLICO: OS PERIGOS DA TENTATIVA
XIX – A VIDA HUMANA NA COMUNIDADE DO MUNDO QUE VEM

Com: Fórum Nova Ordem Mundial



Resposta a uma fofoqueira



Recebi, via Facebook, um comentário de um indivíduo chamado Mauricio Aramis. O sujeito é daqueles chatos que eu costumo ignorar, mas desta vez resolvi responder.

Mauricio,

Após a leitura do seu primeiro comentário, tive uma leve impressão de que a sua intenção não era entender ou explicar alguma incoerência no meu trabalho, mas simplesmente aparecer e ofender. Normalmente eu deleto os comentários de pessoas mal-intencionadas e sigo em frente, pois uma das coisas que mais falta ao meu dia-a-dia é tempo. Como diz o Olavo de Carvalho, com quem você diz que estuda, mas pelo visto não entende: “A estrutura da linguagem humana, dá à mentira o privilégio de poder ser mais breve do que a sua refutação.”

Como vi que tínhamos amigos em comum, alguns que eu estimo muito, resolvi dar a você o benefício da dúvida. Depois entrei no seu perfil e logo de cara vi uma citação ao meu livro (abaixo). Na hora pensei: “o cara é bipolar!” Mais tarde soube que você tinha passado recentemente por um trauma e levei isso em consideração. Mas agora vejo que você é apenas um mau-caráter com o intuito de sugar um pouco de visibilidade, já que no seu perfil nem as moscas costumam aparecer.




Não tenho nem nunca tive problemas com quem pretende corrigir problemas no meu trabalho. Na segunda edição acertei alguns pontos levantados por leitores bem intencionados, que enviaram suas observações e em troca receberam sinceros agradecimentos. Nenhum deles, no entanto, agiu como uma fofoqueira de vila, que grita para chamar a atenção que julga merecer.


Sobre os primeiros comentários, seguem as imagens:





O seu último comentário segue abaixo, em vermelho, com minhas respostas em preto. Mesmo brevíssimas, elas já extrapolam seu merecimento.

Para começar, quando eu pedi a você que apontasse as falácias eu esperava algo como: “na página X você diz Y, e isso está errado de acordo com a fonte Z”, mas você não fez nada disso, apenas listou alguns itens que segundo a sua incompreensão eu “não provei”.

Talvez você não tenha lido, mas logo no início do livro eu deixei claro algumas coisas: 1) não foi minha intenção esgotar o assunto; 2) muitas das informações são evidências e não provas; 3) todos os itens indicam pesquisas mais avançadas (que você não fez nem cogitou fazer); 4) nunca foi meu intuito convencer ninguém, muito menos um chato pretensioso como você, que diz saber “80% do assunto”, coisa que nem mesmo os mais competentes estudiosos afirmam ter alcançado nesse tema tão complexo e dinâmico.

Como solicitado, segue as falácias as quais julgo que senhor incluiu de forma imprópria, sem uma devida triagem explicitando que tais afirmações não estão amparadas por documentação robusta e, portanto, não deveriam ser consideradas como sérias (ouso declarar que nem deveriam constar em sua obra). 

Em sua origem, a palavra "falácia" tem relação com falsidade e com raciocínio propositalmente distorcido para enganar.  Você parece não entender direito o que escreve, pois logo adiante diz que não foi sua intenção ser “rude ou agressivo”. Está certo! Chamar os outros de mentiroso e enganador é uma coisa bem fraternal mesmo...

Também julgo depor contra a confiabilidade de sua obra passagens nas quais o senhor argumenta que, pelo simples fato de alguma informação estar sob sigilo, automaticamente decorre que a mesma é uma peça do quebra-cabeça da Nova Ordem Mundial. Esta última soa um tanto descabida, porque determinados documentos (a despeito do princípio da publicidade que tem de pautar toda atividade estatal) precisam permanecer em sigilo, como forma proteger a soberania nacional que tanto é vilipendiada pelos organismos internacionais. O mesmo se aplica à grupos de pessoas que se reúnem em segredo (dou especial enfoque à Maçonaria nesta questão). Sua idoneidade não deve ser questionada pura e simplesmente pelo fato de se manterem suas atividades em sigilo, sob pena de abertura de precedente à violação de direitos inerentes ao ser humano.

Continuo desconfiando das sociedades secretas, iniciáticas ou discretas, pela simples razão de esconderem suas reais intenções. Qualquer um que estuda NOM sabe que boa parte deste trabalho se baseia em deduções, e eu tive sempre o cuidado de separar o que era fato do que era conjectura. Você parece achar isso errado, o que mostra que não entende nada de política, terreno onde a maior parte das análises é feita equilibrando fatos e deduções. E nesse ponto você faz uma confusão dos diabos ao misturar iniciativas privadas com públicas.

Antes, contudo, após reflexão a respeito da contenda, entendo que lhe devo um duplo pedido de desculpas. Primeiro, pela demora em respondê-lo e, em segundo lugar, por ter iniciado esta discussão de modo rude e agressivo, o que impediu de digitar minha argumentação de modo mais claro.
Isto posto, começo minha enumeração, introduzindo o fato de que o senhor mesmo, nas passagem que citarei, afirma, de uma maneira geral, que não dispõe de fontes suficientes (ou nem mesmo as dispõe) para inferir a respeito da natureza e implicações destas declarações, o que só corrobora minha tese de que a presença das mesmas em tal obra é contraproducente e comprometedora de sua credibilidade. 

Como todo mau-caráter, finge ser uma alma bondosa, que quer apenas contribuir com o debate de forma civilizada, chamando o outro de mentiroso e enganador (!).  Você é tão bondoso que chego a ficar emocionado. Leia de novo os primeiros parágrafos deste texto, ou peça a alguém para ler pra você.

Ei-las, devidamente indicadas por tópicos e páginas do livro.

Não tenho qualquer prova, mas acompanho a desconfiança de muitos americanos sobre a real utilização dos recursos destinados ao custeio dos programas espaciais e da estrutura da NASA, assim como outras agências governamentais espalhadas pelo mundo democrático. Nações democráticas exigem, ao menos formalmente, que os recursos sejam divulgados e aprovados pelo Congresso. Como é sabido que a maioria do povo americano discordaria do gasto com espionagem, lavagem cerebral e projetos militares ilegais, parece boa a ideia de dar a estes recursos o destino de uma entidade cujos gastos são incalculáveis na maioria das vezes, não apenas devido a um ineditismo do projeto, mas também por que várias vezes nenhuma das suas partes possui semelhantes para efeito de comparação (NASA, p. 74-5)


Que problema você viu aqui? Você queria que eu colocasse um documento timbrado da NASA, assinado pelo Conselho Diretor, com firma reconhecida e carimbo? Tenha dó!  A desconfiança (veja que eu usei essa palavra por isso, gênio!), de que o orçamento da NASA pode ser usado para operações diferentes daquelas que são divulgadas é algo que MUITA gente séria já disse, incluindo aí  Alex Jones e  Edward Griffin (eles devem saber um pouco mais que você, certo?). E até a Dra. Joanne Simpson afirmou que a credibilidade e a verba do instituto eram usados na divulgação de notícias falsas referentes ao aquecimento global antropogênico. Mas pelo seu modo histérico de pensar, isso  não deve ser levado em conta, afinal ela não mostrou nenhum vídeo com a diretoria da NASA confirmando tudo, certo?


Não encontrei esta referência em lugar algum, mas o pouco que li sobre suas crenças leva a crer que também foi influenciado pelo Magnetismo Animal de Mesmer” (Mesmer, Kardec e Crooker, p.87).

Mais uma vez: estudar algo relacionado a planos secretos, por definição, exige uma capacidade de ligar pontos aparentemente desconexos. Isso é análise. Se não for assim, ou é narrativa (algo que se sabe com exatidão) ou é invenção. Como não tinha e continuo não tendo provas, dou ao leitor as mesmas pistas que, apesar de estarem em desacordo com os discursos formais, suas consequências indicam que pode haver aí alguma evidência do que sugeri. Procure as palavras no dicionário: "evidência", "sugestão", "pista" e "conjectura". Depois procure “prova”.

O envio de energia elétrica sem fio e a sua capacidade de destruição, estavam, portanto, demonstrados já em 1942 antes de Nicola Testa ser preso, morto e ter o laboratório e seus documentos confiscados. Assim como o Grande Colidor de Hádrons (LHC), o HAARP parece ter funções e objetivos diferentes dos anunciados. A nuvem de mistério que envolve estes projetos permite essa desconfiança. Não sei o que é o HAARP, nem do que ele seja capaz, mas me parece muito provável sua relação com os experimentos de Tesla (HAARP e Tesla, p. 117).

Qual o problema neste trecho? Você não sabe nem mesmo ler? Também não sabe o significado da palavra “parece”?  Apenas como exemplo: existem vários vídeos e depoimentos (alguns indicados no livro) mostrando atividades estranhas no HAARP e no LHC, o que naturalmente fez surgir uma série de conjecturas sobre sua real função: de armamento a mudança climática, passando até pelo satanismo. Veja o documentário sobre o HAARP feito pelo Jesse Ventura (está no livro, mas pelo jeito você finge que não vê ou é de uma preguiça infinita).

Aproveito para fazer uma pergunta: você não entendeu que os termos em negrito que eu sugiro pesquisar, além dos livros e documentários listados no fim do livro servem exatamente para elucidar os pontos que eu não tenho como provar? (a pergunta é retórica, porque não tenho nenhum interesse na sua resposta, tendo em vista que ficou evidente que você não tem nada a acrescentar nem vontade de entender, apenas desvalorizar o trabalho dos outros). Tem You Tube por aí?  Já ouviu falar do Google?

Assim como no caso do HAARP e alguns outros assuntos levantados nos tópicos deste trabalho, não tenho informações suficiente para declarar alguma certeza, mas acredito que em todas estes casos o segredo que os envolvem os transformam em suspeitos. Conheço dois documentários sobre o assunto, um deles registra palestras muito estranhas em um congresso sobre o clima. Veja a seção ‘saiba mais’, no final do livro (Chemtrails, p. 118).

Você viu os documentários e achou normal, ou simplesmente não viu? (também não precisa responder essa, porque no primeiro caso estaria despreparado para entender assuntos tão complexos, que exigem capacidade de entender as entrelinhas. Se nem se deu ao trabalho de assistir, pare de encher o meu saco).

Há outros pontos em seu livro que gostaria de apontar e debater. Entretanto, para não alongar este trabalho em demasia, limitar-me-ei aos supracitados. Poderei aborda-los em ocasião futura se for do seu interesse discuti-los comigo.

Atenciosamente,

Maurício Aramis...
P.S.: Para uma pequena “sacudida”, até que saiu algo que preste.

Você está parecendo aquele pombo jogando xadrez. Não mostrou onde estou errado nem indicou o que seria o certo (esse era o objetivo), apenas levantou algumas questões que eu mesmo já havia classificado como apenas evidências e deduções.

Não tenho nada a “debater” com você. Eu simplesmente o desafio a colocar no papel os 80% que você disse que sabia sobre NOM, e publicar um livro. Pelo que você deu a entender, isso é algo muito fácil de se fazer (só sacudir!). Faça um livro. Prometo que não vou encher o seu saco pedindo provas daquilo que você disser que não tem. Ou vá carpir um lote.


***


PS1: seu comentário tem 4160 caracteres com espaços, tirando as partes que você simplesmente copiou do meu livro, restam 2212 caracteres, ou seja, menos de duas laudas, o que não enche nem mesmo um folheto. Essa é a sua sacudida? Na sua mente perturbada é assim que se faz um livro?

PS2: você tomou mais de 20 minutos do meu tempo. Isso que eu chamo de desperdício!

PS3: além daqueles que estão no final do Introdução à Nova Ordem Mundial, indico a você um outro livro, que tive a honra de participar da produção: “Transtorno Bipolar na Infância e Adolescência”, coordenado pela Dra. Lee Fu-I.



1º Hangout Nova Ordem Mundial



Um bate-papo sobre geopolítica com o Coronel Enio Fontenelle, com a presença de Rodrigo Jungmann, Fabio Blanco, David Amato e Alexandre Costa.

Data: 30/08/2016
Horário: 21h00
Link: https://www.youtube.com/watch?v=OMGKc9597NE 

Os Invernos da Ilha - Minha leitura


Não sou especialista, nem crítico e muito menos possuo erudição suficiente para analisar com profundidade o estilo ou a técnica do autor, nem para identificar referências ou comparações com outros escritores. O que posso fazer é comentar a experiência do ponto de vista de um leitor que gosta de aventuras e de um escritor que busca se aprimorar para um dia, quem sabe, se Deus ajudar, escrever um livro tão bom como esse. 

Os Invernos da Ilha - Rodrigo Duarte Garcia

O livro convida desde a capa. A bonita ilustração do Gustavo Garcia (acho que é irmão do autor) remete imediatamente ao apaixonante universo dos barcos, das ilhas, dos mares; remete também à solidão do inverno, à reflexão. Mar, frio, ilha e – descubro na quarta capa – mosteiro e tesouro pirata. Pronto!

No primeiro capítulo, a descrição da chegada do nosso amigo Florian ao Mosteiro da Santa Cruz prende como um anzol. Em poucas páginas o leitor já está capturado como o protagonista ficaria pouco tempo depois... – está difícil segurar os spoilers, mas prometo me controlar.

Os capítulos seguem curtos, sempre contando mais um pouco, descrevendo um cenário real. Os personagens vão se revelando nos atos e os diálogos e monólogos contam a história de um protagonista muitíssimo interessante, com um passado inicialmente nublado como o céu da Ilha de Sant’Anna Afuera naquele inverno. A cada página é possível prever que a próxima vai trazer algum acontecimento importante. E traz! Sempre traz, abrindo novas e ricas possibilidades, daquelas que fazem  um curioso atrasar seu compromisso para ler mais um pouco. O livro é assim o tempo todo. É possível enxergar  a ilha e reconhecer os personagens. Eles existem. Eles pensam, agem e falam como pessoas reais, mesmo que o leitor nunca tenha conhecido alguém parecido. Até as chatices de um sujeito são quase palpáveis. As personalidades se desenvolvem a cada página, e o leitor fica hospedado na Ilha, conhecendo pouco a pouco o ambiente do mosteiro, o povoado e seus habitantes, no mesmo instante em que compartilha das suas descobertas e lembranças.

Os personagens circulam e conversam em um cenário colorido, rico de detalhes que complementam e dão verossimilhança à trama: a cruz de madeira, os ciprestes e carvalhos, o Farol de Pastene, os objetos curiosos. Tudo devidamente encaixado em uma narrativa de fôlego, que prende a leitura e desenrola uma aventura surpreendente, sem precipitações e sem devaneios desnecessários. O livro tem silêncio, memórias culpadas, doces lembranças, mas nada disso faz o tempo parar. Nem a dureza do frio. A trama corre avançando e recuando, por vezes com a pressa das ondas que batem nas encostas, outras com a calma de quem olha a fumaça azulada de cigarro se dissipando no vento gelado.

Mas nem só de frio vivem Florian, Cecília, Rousseau & Cia. Para quem quer ação, a narrativa é recheada de eventos extraordinários, daqueles que merecem ser contados. As aventuras se desenvolvem em paralelo, uma na “ilha-refúgio”, outra no diário de Oliver van Noort, o corsário – e poeta enigmático. São colinas, florestas, animais selvagens, navios, batalhas, corredeiras e até um vulcão. Na busca pela “glória que brilha do Bom Jesus”, o que não falta é ação.

Sob a onipresença do sal, do clima e de suas paisagens, os sentidos são todos aguçados. Do frio congelante do Rio Dumin, e do cheiro molhado da caverna ao som de Rachmaninoff  ou à carne de coelho do dom Alphonse. O leitor “sente” a história, e tem acesso a tudo: cores, sabores, cheiros e sons.

Os sentimentos não são narrados diretamente, mas são percebidos pelo leitor em cada movimento dos personagens. Culpa, saudade, raiva, ansiedade, vaidade e redenção. Tem de tudo um pouco. Sem falar do jogo da sedução, da atração proibida, dos cabelos arrepiados ou dos olhos verdes brilhantes...

Como na Carretera Circular que percorre a Ilha, as memórias giram juntas aos planos cada vez mais incertos do narrador. O passado e o futuro imaginado pelo protagonista se completam, instáveis e intrigantes, fazendo avançar a compreensão não apenas de Florian, mas de seus interlocutores e da própria narrativa – confesso que não sei como ele faz isso tão bem!

O trato da linguagem também é invejável. Rodrigo consegue a façanha de alcançar a precisão vocabular combinando erudição e “musicalidade” sem ser pedante. Manuseia com sabedoria os jargões e as expressões populares. Seja em latim ou holandês, com um hilário francês arrogante ou com a intrigante língua mapuche, nada fica sobrando.

Concluindo, o livro é muito mais do que uma aventura extraordinária: bem escrito e editado, conta uma estória maravilhosa, tem personagens, tem conflito, tem um fundo emotivo de densidade e um profundo senso de certo e errado, com ação, suspense e tudo que um bom livro precisa ter. Excelente! Indico a todos os leitores e amigos.

Leiam!

Próximo texto: Ventos de Curitiba 

A Paixão de Cristo - Muito além do making-of



Sempre gostei de making-of. Desde a adolescência cultivo uma enorme curiosidade sobre os bastidores das produções cinematográficas, e o interesse só cresceu após as experiências que tive trabalhando com cinema (sim, também já trabalhei como assistente de produção e de direção, essa é uma das vantagens de ser velho).

Imaginem, portanto, minha alegria quando descobri no You Tube um vídeo que conta alguns detalhes sobre um dos filmes mais impressionantes de todos os tempos, “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Vejam:




Se no vídeo acima é possível conhecer as dificuldades e identificar todos os méritos da equipe que produziu esse clássico de 2004, neste que segue abaixo temos a chance de entender um pouco mais sobre a influência que o filme teve na vida do ator que interpretou o protagonista, Jim Caviezel. Não deixem de ver:




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