A Privataria Tucana


Passei as duas últimas noites lendo A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. O livro é bem interessante e conta muitos detalhes das privatizações ocorridas durante o governo FHC. Como na época eu era um dos mais ferrenhos críticos do governo do PSDB, já conhecia algumas daquelas maracutaias, e desconfiava de outras. 

O jornalista demonstra talento narrativo e apresenta muitos fatos e documentos, o que fez do livro uma aventura bem agradável e até emocionante. 

Nunca fui contra as privatizações porque acredito que governo deve se dedicar exclusivamente à segurança, saúde e educação – nesta ordem de importância -, no entanto, discordei na época e continuo discordando da maneira como foi feita a venda do patrimônio público acumulado por décadas, que transformou monopólio estatal em monopólio privado. Sempre achei evidente que muita gente enriqueceu com toda aquela história. Lembro bem que vazaram ligações telefônicas – inclusive do presidente – que sugeriam picaretagens ainda maiores. Pois bem, o livro do tal Amauri mostra muitas destas outras coisas que eu apenas desconfiava.

Além desse foco nas privatizações, o livro aborda também brigas internas nos dois partidos (PT e PSDB), com ramificações em estatais, órgãos públicos e de imprensa, além de fazer uma boa descrição de como funciona a lavagem de dinheiro da corrupção brasileira, certamente uma das maiores do mundo. Nem a CBF de Ricardo Teixeira ficou de fora!

O que existe de mais interessante no livro, a meu ver, são as narrações dos fatos por trás das campanhas eleitorais, tanto de um lado quanto de outro. O “fogo amigo”, os dossiês, os vazamentos e as brigas internas de Aécio e Serra, no PSDB, e de Rui Falcão, Antonio Palocci e Fernando Pimentel, no PT constituem o ponto alto do livro. 

Acontece que este livro pode vir a confirmar a expressão “sujo falando do mal lavado”. O autor, pelo que sei, foi indiciado pela Polícia Federal por “crimes de violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e por dar ou oferecer dinheiro ou vantagem à testemunha” e tem o apoio irrestrito de toda imprensa petista, que se espalha em todos grandes veículos da mídia eletrônica e impressa, e pelos blogs “independentes” que são financiados por dinheiro público. Isso me faz repetir a pergunta de sempre: “Cui Bono?

Resumindo, o livro é bom e deve ser lido, como todos os documentos políticos, com ressalvas, já que o autor é parte interessada e, como ele mesmo diz, personagem da história. 

Last but not least, o livro confirma o que venho afirmando há alguns anos: a podridão existente na relação entre o poder e a imprensa no Brasil fez desta última nada mais que um garoto de recados.
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Feliz Natal!

Adoração dos Pastores  - Gerard Van Honthorst (1590–1656) 

Não há data mais adequada para uma reflexão, já que o aniversário de Jesus Cristo é o nascimento ritualístico do Logos Divino, e isso “energiza” e potencializa as inteligências.

Feliz Natal!

Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, 
porque achaste graça diante de Deus.

E eis que em teu ventre conceberás
e darás à luz um filho,
e por-lhe-ás o nome de Jesus.

Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo;
e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;

E reinará eternamente na casa de Jacó,
e o seu reino não terá fim.

(Lucas 1:30-33)
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O Efeito Mozart





"Pesquisas comprovam que
ouvir certas músicas de Mozart
ativa os neurônios e
melhora a inteligência"



O Efeito Mozart é um termo usado para fazer referência aos poderes de transformação da música na saúde, educação e bem-estar. Representa, de uma maneira genérica, o uso da música para reduzir o estresse, a depressão e a ansiedade; induzir o relaxamento e o sono; restaurar o corpo; melhorar a memória e o estado de alerta.

A pesquisa com a música de Mozart começou na França nos idos de 1950, época em que o Dr.Alfred Tomatis iniciou as suas experiências de estimulação auditiva em crianças com problemas de audição e comunicação. Nessa época já havia muitos centros de pesquisas espalhados pelo mundo todo que usavam as músicas de alta freqüência de Mozart, especialmente os concertos para violino e as sinfonias, para ajudar crianças com dislexia, problemas de fala e autismo. A Universidade da Califórnia, Irvine, começou suas experiências nessa área em 1950, relacionando a música do compositor com a inteligência espacial. Em 2001 os ingleses começaram a estudar o efeito das obras nos epiléticos.

O Dr.Tomatis descobriu que ela acalmava e melhorava a percepção espacial e permitia que o ouvinte se expressasse com maior clareza, comunicando-se com o coração e a mente. O ritmo, a melodia, a excelência de execução e as altas freqüências da música de Mozart claramente estimulavam e impregnavam as áreas criativa e motivacional do cérebro. Mas talvez o segredo da sua magnitude seja porque ela soa pura e simples. Mozart não tece uma tapeçaria deslumbrante como o grande gênio matemático de Bach. Não provoca ondas de emoções como o epicamente torturado Beethoven. Sua obra não tem a rígida simplicidade de um Canto Gregoriano. Não acalma o corpo como uma boa música folclórica, nem atira em movimento como um astro de rock. Ele é, ao mesmo tempo, profundamente misterioso e acessível e, acima de tudo, destituído de malícia. Daí a sua aura de Eterna Criança. Sua graça, seu encanto e sua simplicidade nos permitem divisar uma sabedoria mais profunda dentro de nós.

A expressão estrutural e emocional ajuda a esclarecer a percepção tempo/espaço. A estrutura do rondó e da sonata-allegro constitui a forma básica na qual o cérebro torna-se familiar com o desenvolvimento das idéias.

O ouvido começa a se desenvolver na 10ª semana da gestação de um bebê e é funcional aos 4 meses e meio (da gestação). Ele é essencial para o equilíbrio, a linguagem, a expressão e a orientação espacial. Sendo uma antena receptora, vibra em uníssono com a fonte de som, quer esta seja musical ou lingüística. O corpo se contrai quando tenta se proteger de sons irritantes ou desagradáveis e relaxa com sons harmoniosos. Por intermédio da medula, o nervo auditivo se conecta com todos os músculos do corpo, explorando o repertório inerente de padrões de estímulo espaço-temporal do córtex. A música complexa facilita determinados padrões neurais envolvidos em atividades superiores, como a matemática e o xadrez. Em contrapartida, a música simples e repetitiva poderá ter o efeito contrário.

Som é o campo vibracional que forma a linguagem, a música e até o silêncio. Quando ele está organizado nós nos comunicamos por palavras, idéias, sentimentos e expressões. Por outro lado, quando ele está desorganizado é criado o barulho. O som chega ao nosso cérebro e ao nosso corpo através da pele, ossos e ouvidos, mesmo que a pessoa esteja em estado de coma. É claro que cada pessoa escuta de uma forma diferente, reagindo de uma maneira diferente ao som e ao barulho. Quando ritmo, melodia e harmonia estão organizados em uma bela forma, mente, corpo, espírito e emoções se harmonizam.
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Continue lendo este texto maravilhoso da Elza de Moraes Fernandes Costa (elza-costa@uol.com.br): http://escoladevioloes.com/se/2009/10/496
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Para um domingo celestial


Thomas Tallis (1505-1585) naceu em Greenwitch e foi chamado o Compositor das Catedrais. Vivendo em um período tumultuado do Cristianismo, seu talento foi requisitado por protestantes e católicos. Um gênio da música - esquecido em nossos dias de trevas -, cuja obra imensa nos faz sentir a atmosfera de uma catedral medieval. Spem in Alium, sua composição mais famosa, foi composta em 1570. Em breve colocarei mais coisas dele aqui...
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Princípios de uma política conservadora

Olavo de Carvalho
Estes princípios não são regras a ser seguidas na política prática. São um conjunto de critérios de reconhecimento para você distinguir, quando ouve um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um "liberal", no sentido brasileiro do termo hoje em dia (uma indecisa mistura dos dois anteriores).

1)   Ninguém é dono do futuro. "O futuro pertence a nós" é um verso do hino da Juventude Hitlerista. É a essência da mentalidade revolucionária. Um conservador fala em nome da experiência passada acumulada no presente. O revolucionário fala em nome de um futuro hipotético cuja autoridade de tribunal de última instância ele acredita representar no presente, mesmo quando nada sabe desse futuro e não consegue descrevê-lo se não por meio de louvores genéricos a algo que ele não tem a menor ideia do que seja.

Quando o ex-presidente Lula dizia "não sabemos qual tipo de socialismo queremos", ele presumia saber : (a)   que o socialismo é o futuro brilhante e inevitável da História, quando a experiência nos mostra que é na verdade um passado sangrento com um legado de mais de cem milhões de mortos; (b) que ele e seus cúmplices têm o direito de nos conduzir a uma repetição dessa experiência, sem outra garantia de que ela será menos mortífera do que a anterior exceto a promessa verbal saída da boca de alguém que, ao mesmo tempo, confessa não saber para onde nos leva.

A mentalidade revolucionária é uma mistura de presunção psicótica e de irresponsabilidade criminosa.

2)   Cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. Isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as subsequentes em escolhas drásticas cujos efeitos quase certamente maléficos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, mas, por isso mesmo, não tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências temerárias.

3)     Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o governo seguinte não possa desfazer. É um corolário incontornável do princípio anterior. As eleições periódicas não fariam o menor sentido se cada governo eleito não tivesse o direito e a possibilidade de corrigir os erros dos governos anteriores. A democracia é, portanto, essencialmente hostil  a qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que esta seja em determinado momento.

Nenhuma ordem social gerada pelo decurso dos séculos é tão ruim quanto uma nova ordem imposta por uma elite iluminada que se crê, sem razão, detentora do único futuro desejável. No curso dos três últimos séculos não houve um só experimento revolucionário que não resultasse em destruição, morticínio, guerras e miséria generalizada. Não se vê como os experimentos futuros possam ser diferentes.

4)   Nenhuma proposta revolucionária é digna de ser debatida como alternativa respeitável num quadro político democrático. A revogabilidade das medidas de governo é um princípio incontornável da democracia, e toda proposta revolucionária, por definição, nega esse princípio pela base. É impossível colocar em prática qualquer proposta revolucionária sem a concentração do poder e sem a exclusão, ostensiva ou camuflada, de toda proposta alternativa. Não se pode discutir alternativas com base na proibição de alternativas.

5)  A democracia é o oposto da política revolucionária. A democracia é o governo das tentativas experimentais, sempre revogáveis e de curto prazo. A proposta revolucionária é necessariamente irreversível e de longo prazo. A rigor, toda proposta revolucionária visa a transformar, não somente uma sociedade em particular, mas a Terra inteira e a própria natureza humana.

É impossível discutir democraticamente com alguém que não respeita sequer a natureza do interlocutor, vendo nela somente a matéria provisória da humanidade futura. É estúpido acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, eurasianos e tutti quanti possam integrar-se pacificamente na convivência democrática com facções políticas infinitamente menos ambiciosas. Será sempre a convivência democrática do lobo com o cordeiro.

6)  A total erradicação da mentalidade revolucionária é a condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo. A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana. Teve uma origem histórica – por volta do século 18 – e terá quase certamente um fim. O período do seu apogeu, o século 20, foi o mais violento, o mais homicida de toda a História humana, superando, em número de vítimas inocentes, todas as guerras, epidemias, terremotos e catástrofes naturais observadas desde o início dos tempos.

Não há exagero nenhum em dizer que a mentalidade revolucionária é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. É uma questão de números e não de opinião. Recusar-se a enxergar isso é ser um monstro de insensibilidade. Toda política que não se volte à completa erradicação da mentalidade revolucionária, da maneira mais candente e explícita possível, é uma desconversa criminosa e inaceitável, por mais que adorne sua omissão com belos pretextos democráticos, libertários, religiosos, moralísticos, igualitários, etc.
          
          
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/68268-principios-de-uma-politica-conservadora
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O Leviatã II – O óbvio ululante

"Awakening Leviathan" - Richard Sardinha

Não conheço uma só pessoa que, em sã consciência e sem interesses particulares, prefira o serviço público ao privado. Você não deve estar surpreso com essas afirmações: com raríssimas exceções, os serviços oferecidos pelo Estado brasileiro são deploráveis. 

Hospitais matam pessoas, bandidos fogem das cadeias e escolas emburrecem crianças diariamente, e isso não é uma figura de linguagem: só neste mês de setembro recolhi dezenas de exemplos que comprovam incompetência do Estado em TODAS as áreas. 

Saúde:
No mês em que o Governo, com apoio da imprensa, voltou a pressionar pela volta da CPMF, medicamentos estragaram nos depósitos; equipamentos enferrujaram nas caixas; paciente morreu após 8 horas em ambulância; criança teve a perna amputada por engano. 

Segurança:
Se existisse um Nobel de Criminalidade, seria do Brasil:  55.000 homicídios por ano; menos de 15% dos homicídios solucionados; e todos os dias – sim todos os 365 dias do ano – presos fogem das cadeias nesta terra da paz e da boa vontade.

Educação:
Desde antes do fim do Regime Militar a influência da ONU e de outros organismos internacionais vêm destruindo um sistema educacional que, se não era o melhor do mundo, estava longe dos piores. Com os governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma as coisas pioraram enormemente. 

Idéias estúpidas como aprovação automática, a ideologização, o nível abissal do conteúdo pedagógico e o despreparo dos profissionais (de professores a ministros) fez da burrice uma conquista da nossa nação. 

Um dado que comprova que estamos emburrecendo alunos com muito êxito: testes internacionais garantem que as crianças brasileiras estão entre as mais inteligentes do mundo. Já os nossos universitários estão entre os últimos, disputando, cabeça-a-cabeça, com Serra Leoa, Zambia, Zaire e outros tradicionais redutos intelectuais...

Depois dos livros de geografia com dois estados do Piauí, dos erros de concordância em um livro de português, erros de soma em um livro de matemática e de um ministro da educação que fala “cabeçário” e é tido como intelectual pela imprensa, você queria o quê?

Me empolguei com esta postagem (rs). Ouvi mais uma grande bobagem sobre "Estado Forte" agora há pouco. Era para escrever 4 ou 5 linhas, já que vivendo no Brasil até um macaco pode perceber a incompetência do Estado. 

Resta a pergunta que não quer calar: por que insistimos em deixar essa besta ainda maior e mais poderosa?

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Bom dia!

Mateus 24

E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.

Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.

E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

Mas todas estas coisas são o princípio de dores.

Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.

Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.

E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.

Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda;

Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;

E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa;

E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.

Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!

E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado;

Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.

E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

Eis que eu vo-lo tenho predito.

Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.

Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias.

E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão.

Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.

Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.

Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.

Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,

E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.

Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro;

Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.

Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.

Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?

Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.

Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.

Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;

E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,

Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,

E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.
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A natureza do inteligir

O mais santo dos sábios e mais sábio dos santos

O intelecto de uma certa forma é próprio da alma, e de uma outra certa forma é conjunto com o corpo.

Existem operações da alma que necessitam do corpo como instrumento e como objeto. Por exemplo: ver necessita do corpo como objeto, porque a cor, que é objeto da visão, está no corpo. Ver também necessita do corpo como instrumento, porque a visão, apesar de ser pela alma, não se dá, todavia, senão pelo órgão da vista, que é o seu instrumento. Desta maneira, ver não é somente da alma, mas também do órgão.
 
Existem outras operações da alma que necessitam do corpo, não todavia como instrumento, mas apenas como objeto. Assim, o inteligir não é pelo órgão corporal, mas necessita do objeto corporal. Os fantasmas, de fato, se acham para com o intelecto assim como as cores para com a visão. Ora, as cores se acham para com a visão como objetos. Portanto, os fantasmas se acharão para com o intelecto como objetos. Daí que, não existindo os fantasmas sem o corpo, fica patente que o inteligir não se dá sem o corpo. Mas isto como objeto, não como instrumento.
 
A primeira conclusão que se segue é que o inteligir é uma operação própria da alma, e não necessita do corpo exceto apenas como objeto. Ver e as demais operações e paixões da alma não são apenas da alma, mas conjuntas.
 
A segunda conclusão que se segue é que como o que apresenta operação per se também apresenta ser e subsistência per se, e aquilo que não tem operação per se não apresenta ser [e, subsistência] per se, por conseguinte
 
  • A. O intelecto é forma subsistente
  • B. As demais potências são formas em matéria

Santo Tomás de Aquino - Comentários a Aristóteles

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Sobre o mundo inteligível


Todas as artes provêm de alguma sabedoria, primordial ou natural, que cresce do uno para o múltiplo. As formas ali são de igual dignidade e são paradigmas. Os sábios do Egipto já conheciam essas formas correctamente, e exprimiam-nas sem usar a linguagem, mas por sinais e assim eram os seus livros. A primeira causa criou apenas através da sua essência. O mundo não foi gerado por acaso mas através da providência, e sem deliberação. Foi ele que criou a deliberação. Primeiro, criou uma forma, e depois todas as coisas a partir dessa forma, que é o mundo superior, e as restantes coisas através dessa forma. A matéria foi criada primeiro com uma forma universal e depois revestiu muitas formas, por isso não a vemos nem sentimos. 

Aristóteles - Teologia
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O Pensamento Mágico


A Feiticeira limpava toda a casa, passava roupa, mudava os móveis de lugar e lustrava o assoalho sem qualquer esforço, apenas balançando a ponta do nariz.  Por vezes a realidade parece nos cansar de tal forma, que desejamos mesmo estas soluções “mágicas”. Seria mesmo ótimo poder lidar com os problemas do cotidiano de forma tão simples. Por vezes desejamos, como fuga, algumas soluções de certa forma parecidas como aquelas mostradas no engraçado seriado dos anos 60. Até aí, tudo bem. O problema surge quando o indivíduo começa a acreditar nesse “pensamento mágico”.

Pensar de forma mágica é acreditar que uma recomendação, uma ordem ou uma lei são suficientes para a concretização de um objetivo. Um exemplo é o sujeito que acredita que ao impedir o uso de uma palavra o mal que ela representa irá desaparecer. Algo como bater com a varinha de condão ou quando a Feiticeira balançava a ponta do seu nariz. E toda essa história de “Politicamente Correto” é isso... É pensamento mágico levado aos limites do absurdo.

Esta forma de ver o mundo, apesar de às vezes parecer apenas ingênua, está ficando perigosa porque dominou a cabeça da nossa classe pensante (!) e se alastra como doença – algo que de fato é, de acordo com a Psiquiatria.

Repare no número de proibições legais e culturais que o “pensamento mágico” nos trouxe; repare na infinidade de mudanças que o “politicamente correto” trouxe às nossas vidas; preste atenção à imbecilização da nossa sociedade (que tende a piorar, dado o rigor do politicamente correto, que se aperta feito uma espiral sem fim...) 

Repare em tudo isso e depois compare com aquele que, na minha opinião, é o principal índice de selvageria:
50.000 assassinatos por ano. E pra isso não adianta balançar o nariz. 



Anderson & Roe - Sonata para 2 Pianos - Mozart

A Morte da Imprensa


Sumner Redstone disse há alguns anos que a imprensa do jeito que conhecíamos estava condenada à morte. Redstone é o todo poderoso do Grupo CBS, maior conglomerado de mídia do mundo, que controla a Columbia Pictures, a Paramont, a MTV e o próprio canal CBS. 

Na época soube deste pronunciamento em um artigo do Diogo Mainardi, mas não dei a devida importância e penso que entendi aquilo em uma dimensão muito menor. Hoje, analisando a situação da imprensa em todo o mundo, principalmente após a grande concentração pós-2003, é fácil perceber que a fala do dono do CBS não era uma opinião, mas uma descrição de um fato inevitável.

O jornalismo que busca encontrar e difundir a verdade não existe mais. A imprensa de hoje é apenas um aparelho ideológico a serviço do dinheiro e da política. Jornalistas são apenas ideólogos repetidores e, na maioria das vezes, nem sabem disso.

O Brasil serve de exemplo: os grandes grupos de mídia estão a serviço dos planos globalizantes e os “blogs independentes” dependem do financiamento do governo. 

Estamos perdidos!

Desafio - A fraude do aquecimento global


Este é um assunto que já deveria ter sumido da pauta, mas como a mídia emburrecedora continua insistindo na teoria do aquecimento global antropogênico, lanço aqui um desafio.

Desafio qualquer adepto da religião do aquecimento global dos últimos dias a prever as condições da natureza no planeta Terra daqui a um ano. Como eles vivem prevendo o que vai acontecer daqui a 500 ou 600 anos, deve ser moleza, já que os fatores diminuem sensivelmente.

Algum “especialista” se habilita?

Dividir pra Conquistar


Estrategistas militares como Sun Tzu, Aníbal, Maquiavel, Stálin e Hitler ensinaram – ou demonstraram – que um caminho certo para a vitória é a divisão do seu oponente. A traição, o conflito e a desconfiança devem ser fomentados no seio do inimigo, a fim de enfraquecer suas estruturas, minar suas resistências e diluir sua força em unidades mais facilmente controláveis.

A guerra silenciosa mais importante que se trava em praticamente todo o planeta desde pelo menos as últimas décadas tem um fundo religioso muito forte e este, por sua vez, pode estar enquadrado em uma dimensão ainda mais ampla, a dimensão espiritual.

Em todos os cantos do mundo o Cristianismo parece destacar-se como alvo comum nos vários conflitos que ocorrem simultaneamente. Nos conflitos bélicos, mais de um milhão de cristãos foram perseguidos e perderam suas vidas nas últimas décadas, em lugares como China, África, Índia e Oriente Médio. Já nos conflitos de ordem cultural cerca de um terço do mundo é atingido na sua forma de viver, de pensar e de crer quando valores caros à Moral Cristã são atacados violentamente por organismos internacionais financiados a peso de ouro e com a única missão de atingir o Cristianismo, que eles vêem como obstáculo aos seus planos globalizantes.

Qualquer um que se informe por fontes primárias e não pela mídia convencional sabe que este ataque ao Cristianismo é sistemático e serve a interesses geopolíticos, mas eu creio que por trás desta “causa eficiente” existe uma “causa original”, e esta é o próprio componente espiritual desta guerra.

O mais triste, no entanto, é perceber que boa parte – para não dizer a maioria – dos ataques aos Cristianismo parte de outros cristãos, obedecendo servilmente aos planos do inimigo: dividir pra conquistar.

O Cristianismo está sob ataque! E o inimigo vai avançar enquanto os cristãos não perceberem que o importante agora não é discutir dogmas...

Um texto essencial de Ives Gandra Martins


Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria!

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', porque cumpre a lei.

Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.



Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.



ANEXOS:

INCISO IV DO Art. 3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A QUE SE REFERE O DR. IVES GRANDA, NA ÍNTEGRA:

"promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."



"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)


O RacioSÍMIO de um inteleQUITUAL

Momento "Filosofando"

Vladimir Safatle, que não é filósofo de maneira alguma, mas ocupa uma cadeira na Faculdade de Filosofia da USP e espaço na Folha de São Paulo, escreveu uma bobagem chamada Colapso Moral, que começa assim:

Aqueles que se vêem como excluídos da sociedade
não têm razão alguma para obedecer às suas normas.  

Isso mesmo. Leia de novo. Pode parecer brincadeira, mas não é. 

Pela lógica deste que Gramsci chamaria de intelectual orgânico, e que Lênin nomearia "idiota útil", quem não concorda com as leis de uma sociedade pode desrespeitá-la sem pestanejar.

Seguindo este racioSÍMIO, aposentadoria para invasores do MST, bolsa-reclusão para criminosos e comendas de direitos humanos para quem promove a pedofilia passam a ser aceitáveis e até "normais". O desdobramento dessa lógica primata, no entanto, leva a conseqüências ainda mais estúpidas - e moralmente perigosas. Só um exemplo: quem discordar das leis que regulam a propriedade pode roubar sem qualquer cerimônia e com a consciência bem tranqüila;

Mas como não poderia deixar de ser, o pseudo-filósofo-marxista-militante não está sozinho, sua provável "ídola", Marta Suplicy, disse algo parecido, também na Folha (coincidência?).

Quando comecei esta postagem tinha mais para escrever, mas creio que estes dois casos bastam para mostrar as causas desta imoralidade que reina no Brasil dos nossos dias.

PS: Graças ao bom Deus não tenho nenhum parente ou amigo estudando na USP...


Pela Ordem - Sobre a Igreja Católica



Não tenho qualquer procuração para defender o Catolicismo, também não acredito que a Igreja Católica precise da defesa deste católico relaxado. De qualquer forma, no entanto, a verdade deve sempre prevalecer neste blog, por isso resolvi refutar algumas bobagens que vejo espalhadas na Internet, muitas vezes por pessoas que acreditam estar contribuindo com o Cristianismo.

Em uma época em que todas as atitudes do inimigo estão organizadas e direcionadas, atacar a Igreja Católica é atacar o Cristianismo. Pense bem: após a queda da Igreja Católica, quanto tempo vai levar para caírem as igrejas protestantes?

As imagens e os santos
Muitos protestantes criticam os católicos por causa da nossa relação com as imagens. Isso se explica apenas pela falta de compreensão da diferença entre "adorar" e "venerar".  Católicos não adoram imagens, veneram imagens. E muitas vezes a presença de imagens no ambiente funciona como símbolo, lembrança e reforço para a presença de Deus. Digo isso por exepriência própria.

O mesmo se diz sobre os Santos, que mais do que produzir milagres, simbolizam a possibilidade de santificar nossa vida. Os Santos contam a história do Cristianismo, nos mostram como é possível seguir os exemplos de Jesus Cristo, dentro das nossas capacidades e apesar das falhas humanas. Santos não são adorados, mas venerados.

Os Livros da Bíblia
A Igreja Católica não incluiu livros da Bíblia, Lutero os retirou, aparentemente, porque estavam em contradição com sua teologia da salvação pela Graça.

A Inquisição
Já vi ignorantes dizendo que a Inquisição matou “milhões”. Nem os inimigos da Igreja Católica durante a Revolução Francesa chegaram a tamanhos absurdos. Hoje qualquer semi-analfabeto acusa a Igreja sem qualquer refutação, e por isso um bando de papagaios sai repetindo a ladainha sem nem saber do que se trata.

Na pior das hipóteses foram menos de 40.000 condenações em pelo menos 20 nações, durante 450 anos, sendo que a maioria dos condenados nunca chegou à punição de fato. O historiador Agostino Borromeo, por exemplo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos, e muitas vezes foram queimados bonecos nas condenações à revelia. No caso das bruxas, muitas foram queimadas em 2 séculos, principalmente na Alemanha e na Inglaterra protestantes, mas mesmo assim em número muito inferior às acusações modernas.

As Cruzadas
As Cruzadas foram uma resposta justa, proporcional e tardia às invasões islâmicas na Terra Santa e aos ataques às caravanas européias. Não “dizimaram populações”, não fizeram “rios de sangue” nem mataram milhões. Só a título de exemplo, a Primeira Cruzada partiu com cerca de 3.000 cavaleiros e tomou Jerusalém em 15 de Julho de 1099, com 1.000 homens, menos de um terço dos soldados inimigos.  Os cavaleiros cruzados foram os maiores guerreiros da História, tanto no aspecto técnico-militar quanto no aspecto moral-ético.

Todo o resto é balela!

Sei que um resumo como esse não esgota a discussão, mas o importante agora é afirmar que os  dogmas, diferenças teológicas e de interpretação podem ficar para mais tarde.

O tempo é de união:
"Defender a Igreja Católica é defender o Cristianismo e o Ocidente".
 

Mozart e a Musa II





A violinista Hilary Hahn nasceu na Virgínia, EUA, e em novembro próximo completa 32 anos. Já se apresentou nos mais nobres palcos do mundo, foi premiada com dois Grammy e eleita a Melhor Solista duas vezes pela Revista Billboard. Gravou vários cds, com obras de Mozart, Tchaikovsky, Mendelssohn e outros grandes compositores para violino, com destaque especial para a gravação dos 3 Concertos para Violino de Bach, que na opinião deste leigo é simplesmente a melhor gravação já feita (ouça um pouco aqui).

No vídeo acima está o primeiro movimento do Concerto n4 de Mozart. Imperdível!

(ah se ela soubesse que estou solteiro...)


Ouça também: Mozart e a Musa I


O sentido da vida


Esta semana o blog do Mr. X fez uma indagação que não é nova, mas continua interessante, principalmente quando as idéias e as letras são tratadas com gentileza, como é freqüente neste excelente blog. 

O Mr. X pergunta: qual o sentido da vida?

A questão já habitou as mentes mais iluminadas da História e continua a intrigar todos que a ela se dedicam. Não seria este blog, portanto - e muito menos eu -, a respondê-la. A única pista de que dispomos, creio eu, é que existe sim um sentido, inabarcável em sua totalidade, mas com "pedaços" acessíveis à compreensão por meio da intuição, da percepção, da dedução, da reflexão e, principalmente, por meio da Revelação.

Observando a realidade podemos identificar padrões por trás dos fluxos, analogias, fractalidade, simetria e auto-singularidade em todos os objetos existentes no universo, compondo uma Ordem Natural que espelha uma Ordem Divina, ou seja, a Vontade de Deus.

Nunca entenderemos o sentido total da existência porque ela engloba a soma de todas as possibilidades e esta consiste na Mente Divina, o Logos. No entanto podemos entender um pouquinho deste sentido, seja pelas nossas faculdades cognitivas, seja pela Revelação, e como ele é a representação da Vontade Divina, devemos nos apegar a este sentido compreendido da mesma forma que um náufrago se agarra a um bote salva-vidas.

Além do tema intrigante que a postagem levantou, também me identifiquei com o sentimento de impotência e conseqüente inutilidade do blog. Não tenho competência para dar conselhos a ninguém, mas costumo pensar assim: se o blog servir de semente para uma hipotética salvação de uma única alma, já está valendo; se ninguém leu, mas serviu para organizar o que vou aprendendo, está valendo também. No caso do blog do Mr. X, além de agradável e interessante, é útil e deve continuar a espalhar informação de qualidade e opiniões consistentes. Portanto, mãos à obra! Continue escrevendo!

A todos que se preocupam com o tema que deveriam mesmo se preocupar, indico o livro do Viktor Frankl, Em busca de sentido: Um psicólogo no campo de concentração, indico o artigo do Olavo de Carvalho, O abandono dos ideais, e abaixo segue um ensaio do Albert Jay Nock, de 1936, traduzido pelo Aristoi.

O Trabalho de Isaías

Numa tarde do último outono, sentei por longas horas com um conhecido europeu, enquanto ele expunha uma doutrina político-econômica que parecia ser sólida como uma noz e na qual eu não conseguia achar defeito algum. Por fim ele me disse, com muita gravidade: "Eu tenho uma missão para com as massas. Sinto que sou chamado para ser ouvido pelo povo. Devotarei o resto de minha vida a espalhar amplamente minha doutrina entre a população. O que você acha?"

Esta é, em qualquer caso, uma pergunta desconfortável, e mais ainda nessas circunstâncias, por que meu conhecido é um homem muito culto, uma das três ou quatro mentes de primeira classe que a Europa produziu em sua geração; e naturalmente eu, sendo um dos incultos, estava disposto a considerar a menor de suas palavras com uma reverência beirando o temor. Ainda assim, eu pensei, nem mesmo a melhor das mentes pode saber tudo, e eu estava certo de que ele não tivera as mesmas oportunidades que eu para observar as massas da humanidade, e que, portanto, eu as conhecia melhor do que ele. Então, juntei coragem para dizer que esta não era sua missão. E que fazia bem em tirar essa idéia da cabeça de uma vez; ele descobriria que as massas não dariam a mínima para sua doutrina, e menos ainda para ele mesmo, já que em tais circunstâncias o favorito do povo é geralmente algum Barrabás. Eu cheguei até mesmo a dizer (ele é judeu) que a sua idéia parecia mostrar que não estava bem inteirado da literatura de seu povo. Ele sorriu da minha pilhéria, e perguntou o que eu queria dizer com ela; então, me referi à história do profeta Isaías.

Me ocorrera então que esta história valia a pena ser recordada, agora quando tantos homens sábios e adivinhos parecem carregar o fardo de uma mensagem para as massas. Dr. Townsend tem uma mensagem, Padre Coughlin outra, Upton Sinclair, Lippmann, Chase e a sociedade para uma economia planificada, Tugwell e os New Dealers, Smith e a liga da Liberdade – a lista não tem fim. Não consigo lembrar de uma época em que tantos endemoninhados diferentes pregavam a Palavra às multidões e lhes diziam o que fazer para serem salvas. Sendo assim, me ocorreu, como eu dizia, que a história de Isaías deve ter algo que firme e concilie o espírito humano, até que esta tirania verborrágica esteja ultrapassada. Parafrasearei a história em linguagem comum, já que suas partes devem ser colhidas de várias fontes; e dado que respeitáveis eruditos acharam apropriado publicar uma versão inteiramente nova da Bíblia no vernáculo americano, me abrigarei atrás deles, se necessário, contra a acusação de estar lidando irreverentemente com as Sagradas Escrituras.

A carreira do profeta teve início no fim do reinado de Ezequias, por volta de 740 a.C. Este reinado foi anormalmente longo, de quase meio século, e indubitavelmente próspero. Foi um daqueles reinados prósperos, entretanto – como o de Marco Aurélio em Roma, ou a administração de Eubulus em Atenas, ou a de Coolidge em Washington – onde no fim a prosperidade subitamente se esfarela e desmorona, com um retumbante estrondo.

No ano da morte de Ezequias, o Senhor incumbiu o profeta de ir avisar o povo do castigo iminente. "Diga-lhes que bando de inúteis eles são." Disse Ele, "Conte-lhes o que está errado, por que e o quê vai acontecer a menos que reformem seus corações e se endireitem. Não use de meias palavras. Deixe claro que esta é irrecorrivelmente a última chance. Mande ver sem piedade, e continue mandando ver. Suponho que Eu talvez deva lhe dizer," Ele continuou, "que não vai adiantar nada. A classe oficial e a intelligentsia vão te desprezar, e as massas sequer te ouvirão. Eles continuarão em seus caminhos até que consigam destruir tudo, e considere-se com sorte se você sair dessa com vida."

Isaías estivera bastante disposto a assumir a missão – na verdade, ele pedira por ela – mas essa perspectiva deu novos contornos à situação. Levantou a evidente questão: Por que, se era assim – se a empreitada era destinada, de início, ao fracasso – havia qualquer sentido em empreendê-la? "Ah," disse o Senhor, "você não entende. Há Remanescentes por lá dos quais você nada sabe. Eles são obscuros, desorganizados, inarticulados, cada um se virando como pode. Eles precisam ser encorajados e reforçados, porque quando tudo tiver ido por água abaixo, serão eles a retornar e construir uma nova sociedade; e entrementes, sua pregação os reassegurará e os manterá de pé. Seu trabalho é cuidar dos Remanescentes, então vá logo e comece a agir."

Claramente, portanto, se a palavra do Senhor vale para alguma coisa – não opinarei sobre isto – os únicos elementos na sociedade judaica dignos de serem incomodados eram os Remanescentes. Isaías parece ter finalmente entendido que este era o caso; que nada se esperasse das massas, mas se houvesse qualquer coisa de substancial a ser feita na Judéia, os Remanescentes seriam os encarregados. Esta é uma idéia muito impressionante e sugestiva; mas antes de explorá-la mais a fundo, precisamos ser perfeitamente claros sobre nossos termos. O que queremos dizer com "as massas", e o que com "os Remanescentes"?

Da maneira em que é comumente utilizada, a palavra massas sugere aglomerações de pessoas pobres e desprivilegiadas, pessoas trabalhadoras, proletários - e não quer dizer nada disso; quer dizer, simplesmente, a maioria. O homem-massa é um que não tem a força de intelecto para apreender os princípios que ser revelam naquilo que conhecemos como vida humana, nem a força de caráter para aderir àqueles princípios firme e estritamente como leis de conduta; e porque tais pessoas perfazem a imensa e esmagadora maioria da humanidade, elas são chamadas coletivamente de as massas. A linha que separa as massas e os Remanescentes é traçada invariavelmente pela qualidade, e não pelas circunstâncias. Os Remanescentes são aqueles que por força do intelecto são capazes de apreender tais princípios, e por força do caráter, capazes, ao menos significativamente, de se apegarem a eles. As massas são aqueles incapazes de ambas as coisas.

O retrato que Isaías nos apresenta das massas judaicas é deveras desfavorável. Em sua perspectiva, o homem-massa – seja ele do topo ou da base da sociedade, rico ou pobre, príncipe ou mendigo – se sai muito mal. Ele aparece não apenas como tolo e irresoluto, mas conseqüentemente velhaco, arrogante, avaro, dissoluto, inescrupuloso e sem princípios. A mulher-massa não se sai melhor, participando de todas as qualidades inconvenientes do homem-masssa, e contribuindo com algumas outras, como vaidade e preguiça, extravagância e fraqueza. A lista de produtos de luxo que ela consumiu é interessante; lembra-se da página feminina de um jornal de Domingo em 1928, ou da exibição em algum de nossos periódicos manifestamente "modernos". Noutro lugar, Isaías relembra as afetações que conhecíamos pelo nome de "andar melindroso" e o "debutante slouch", andar descuidado. Talvez seja bom dar um certo desconto à verve de Isaías, dado o seu fervor profético; afinal, já que sua missão não era converter as massas, e sim revigorar e tranqüilizar os Remanescentes, ele provavelmente sentiu que podia exagerar indiscriminadamente, tanto quanto quisesse – na verdade, isso era esperado dele. Mas mesmo assim, o homem-massa judaico deve ter sido um indivíduo altamente censurável, e a mulher-massa absolutamente odiosa.

Se o espírito moderno, o que quer que ele seja, não é inclinado a tomar a palavra do Senhor pelo que ela é (como parece ser o caso), podemos observar que o testemunho de Isaías sobre o caráter das massas é grandemente corroborado por respeitáveis autoridades gentias. Platão viveu sob a administração de Eubulus, quando Atenas estava no topo da cultura de massa, o jazz-and-paper, e ele fala das massas atenienses com o mesmo fervor de Isaías, chegando mesmo a compará-las a uma manada de vorazes bestas selvagens. 

Curiosamente, também, ele aplica a mesma palavra de Isaías, remanescentes, para a porção mais valorosa da sociedade ateniense; "não há senão uns poucos remanescentes," ele diz, daqueles que possuem uma redentora força de intelecto e força de caráter – poucos demais, preciosos como os da Judéia, para serem úteis contra a preponderância ignorante e viciosa das massas.

Mas Isaías era um pregador, e Platão um filósofo; e tendemos a considerar pregadores e filósofos antes como observadores passivos do drama da vida do que como participantes ativos. Portanto, num assunto como este, seus julgamentos podem ser suspeitos de certa intransigência, de serem um tanto ácidos, ou como dizem os franceses, saugrenu. Podemos, portanto, trazer à baila uma outra testemunha, que foi notavelmente um homem de ação, e cujo julgamento não é passível desta suspeita. Marco Aurélio foi soberano do maior dos impérios, e deste posto não apenas tinha o homem-massa romano sob observação, mas o teve em suas mãos vinte e quatro horas por dia, durante dezoito anos. O que ele não sabia sobre o homem-massa não era digno de ser sabido, e o que pensava dele está abundantemente registrado em quase todas as páginas do pequeno livro de apontamentos que escrevia improvisadamente em meio ao cotidiano, para o qual não pretendia nenhum leitor senão ele mesmo.

Esta visão das massas é uma que encontramos prevalecendo largamente entre as autoridades antigas a cujos escritos temos acesso hoje. No século XVIII, entretanto, certos filósofos europeus espalharam a noção de que o homem-massa, em seu estado natural, não é de modo algum o tipo de pessoa que as autoridades de outrora acreditavam ser, mas, pelo contrário, que é um valoroso objeto de interesse. Sua indocilidade é um efeito do ambiente, um efeito pelo qual a "sociedade" é de algum modo responsável. Se apenas seu ambiente lhe permitisse viver de acordo com as próprias luzes, ele indubitavelmente se provaria um bom sujeito; e a melhor maneira de assegurar um ambiente mais favorável para ele seria deixar o próprio se encarregar do ambiente. A Revolução Francesa agiu poderosamente como trampolim para esta idéia, projecionando sua influência em todos os cantos da Europa.

Neste lado do oceano, um continente completamente novo se dispôs a um experimento em larga escala desta teoria. Gastou todos os recursos disponíveis pelos quais as massas pudessem desenvolver uma civilização feita à sua própria imagem e semelhança. Não havia qualquer força tradicional que perturbasse sua preponderância, ou que as pusesse sob o implacável escrutínio dos Remanescentes. Imensa riqueza natural, predomínio inquestionado, isolamento quase total, livre de interferência externa e do temor dela e, por fim, um período de cento e cinqüenta anos – tais são as vantagens que teve o homem-massa, na criação de uma civilização que destruiria a crença dos pregadores e filósofos de outrora de que nada de substancial poderia ser esperado das massas, mas apenas dos Remanescentes.

O sucesso não impressiona. Com base nas evidências até agora apresentadas, é preciso dizer, penso eu, que a concepção do homem massa sobre o que a vida tem a oferecer, e o que ele escolhe pedir da vida, parecem hoje ser basicamente as mesmas que nos tempos de Isaías e de Platão; e também os catastróficos conflitos e convulsões sociais nos quais sua visão de mundo e suas exigências à vida o implicam. Contudo, não pretendo me estender sobre isso, mas somente observar que a importância monstruosamente inflada das massas evidentemente afastou da cabeça do profeta todo pensamento concernente a uma possível missão dos Remanescentes. É obviamente assim que deveria ser, caso os pregadores e filósofos antigos estivessem errados, e caso as últimas esperanças da humanidade estivessem centradas nas massas. Se, por outro lado, acontecer de o Senhor e Isaías e Platão e Marco Aurélio estarem certos na estimativa do valor social relativo das massas e dos Remanescentes, o caso é um tanto diferente. Além disso, dado que, com tudo a seu favor, até agora as massas tenham dado uma demonstração extremamente desencorajadora de si mesmas, parece que a questão em pauta entre estes dois sistemas de opinião pode ser reaberta com proveito.

Mas, sem seguir esta sugestão, eu quero apenas, como disse, sublinhar o fato de que, do jeito que as coisas estão, o trabalho de Isaías parece ser pouco procurado. Todos os que têm uma mensagem hoje em dia estão, como meu venerável amigo europeu, ansiosos por levá-la às massas. Sua primeira, última, e única preocupação é ser aceito e aprovado pelas massas. Seu grande cuidado é dispor sua doutrina de tal forma que possa capturar o interesse e a atenção das massas. Esta atitude para com as massas é tão exclusiva, tão devota, que faz lembrar o monstro troglodita descrito por Platão, e a diligente multidão à entrada de sua caverna, tentando obsequiosamente apaziguá-lo e ganhar seu favor, tentando interpretar seus ruídos inarticulados, tentando descobrir o que o monstro deseja, e avidamente oferecendo a ele toda espécie de coisas que, imaginam, possam agradá-lo.

O problema principal disso tudo é o efeito que tem sobre a própria missão. Requer uma adulteração oportunista da doutrina, que altera profundamente seu caráter e a reduz a um mero placebo. Se, digamos, você é um pregador, deseja atrair uma congregação tão grande quanto possível, o que significa um apelo às massas; e isto, por sua vez, quer dizer adaptar os termos da sua mensagem à ordem de intelecto e caráter própria das massas. Se você é um educador, digamos que no comando de uma faculdade, quer acumular o máximo de alunos possível, e faz os cortes necessários nos requisitos mínimos. Se um escritor, deseja conseguir muitos leitores; se um editor, muitos compradores; se um filósofo, muitos discípulos; se um reformador, muitos convertidos; se um músico, muitos ouvintes; e assim por diante. Mas como podemos observar por todos os lados, na realização destes vários desejos, a mensagem profética é tão pesadamente adulterada com trivialidades em todos os níveis, que seu efeito sobre as massas é simplesmente fortalecê-las em seus pecados. Enquanto isto, os Remanescentes, conhecedores desta adulteração e dos desejos que a motivam, viram suas costas ao profeta e não querem mais saber dele ou de sua mensagem.

Isaías, por outro lado, não trabalhava sob tais estorvos. Ele pregava para as massas somente no sentido em que pregava publicamente. Qualquer um que gostasse podia ouvir; qualquer transeunte podia ser alguém que gostasse. Ele sabia que os Remanescentes ouviriam; e sabendo também que não devia, sob nenhuma circunstância, esperar qualquer coisa das massas, não fazia nenhum apelo específico a elas, não adaptava sua mensagem à medida delas de modo algum, e não ligava a mínima para se prestavam ou não atenção. Como um editor moderno poderia dizer, ele não se preocupava com circulação ou propaganda. Então, com todas as obsessões desse tipo completamente fora do caminho, ele estava apto a fazer o seu melhor, sem medo ou concessões, e respondendo apenas ao seu augusto Chefe.

Se um profeta não for muito inclinado a ganhar dinheiro com sua missão, ou a adquirir com ela uma espécie dúbia de notoriedade, as considerações acima levariam a dizer que servir os Remanescentes parece um bom trabalho. Uma tarefa à qual você pode realmente se dedicar, e fazer o seu melhor sem pensar nos resultados, é um trabalho de verdade; enquanto que servir às massas é, na melhor das hipóteses, um meio trabalho, levando em conta as severas condições que as massas impõem aos seus servidores. Elas te pedem que lhes dê o que querem, insistem nisso, e se recusam a receber qualquer outra coisa; e seguir seus caprichos, suas mudanças irracionais de gosto, seus humores quentes ou frios, é um negócio tedioso – para não mencionar o fato de que seus desejos permanentes têm muito pouco a ver com os recursos proféticos de alguém. Os Remanescentes, por outro lado, querem apenas o seu melhor, seja qual ele for. Dê o seu melhor a eles, e estarão satisfeitos; você não tem mais nada com que se preocupar. O profeta das massas americanas deve almejar conscientemente o mínimo denominador comum do intelecto, do caráter e do gosto entre 120.000.000 de pessoas; e esta é uma tarefa perturbadora. O profeta dos Remanescentes, pelo contrário, está na invejável posição de Papa Haydn no palácio do Príncipe Esterhazy. Tudo o que Haydn tinha que fazer era continuar desencavando as melhores das melhores músicas que ele sabia como criar, sabendo que ela seria entendida e apreciada por aqueles para quem produziu, e não ligando a mínima para o que os outros pensavam dela; e isto é um bom trabalho.

Num certo sentido, entretanto, como eu disse, não é um trabalho recompensador. Se você consegue suportar os caprichos das massas, e ter a sagacidade de estar sempre um passo adiante de suas excentricidades e vacilações, pode conseguir um bom retorno monetário servindo a elas, e um bom retorno num tipo de notoriedade boca-a-boca:
Digito monstrari et dicier, Hic est!
[que nos apontem e digam: é ele!]

Todos nós conhecemos inumeráveis políticos, jornalistas, dramaturgos, romancistas e afins, que se deram extremamente bem neste caminho. Cuidar dos Remanescentes, pelo contrário, traz pouca promessa de recompensas do tipo. Um profeta dos Remanescentes não se tornará orgulhoso dos retornos financeiros de seu trabalho, nem é provável que adquira um grande renome por ele. O caso de Isaías foi uma exceção a esta segunda regra, e existem outras, mas não muitas.

Pode-se pensar então que, embora cuidar dos Remanescentes seja sem dúvida um bom trabalho, não é um trabalho particularmente interessante, pois via de regra é tão pobremente recompensado. Tenho minhas dúvidas quanto a isso. Há outras compensações a serem tiradas de um trabalho além de dinheiro e fama, e algumas delas são substanciais o suficiente para se tornarem atrativas. Muitos trabalhos que não pagam bem são ainda assim profundamente interessantes, como, por exemplo, dizem que é o do pesquisador científico; e o trabalho de cuidar dos Remanescentes me parece, depois de muitos anos pesquisando-o a partir de minha tribuna de honra, não ser menos interessante do que qualquer outro trabalho encontrável no mundo.

O que o faz ser assim, penso, é o fato de que em qualquer sociedade os Remanescentes são sempre uma quantidade desconhecida. Você não sabe, e nunca vai saber, mais do que duas coisas sobre ele. Você pode estar certo – dead sure, como diz a nossa expressão – delas, mas não será capaz sequer de fazer uma especulação crível sobre qualquer outra coisa. Você não sabe, e nunca saberá, quem são os Remanescentes, nem o que eles estão fazendo ou farão. Você sabe de duas coisas, e não mais: primeira, que eles existem; segunda, que eles te encontrarão. Exceto por essas duas certezas, trabalhar para os Remanescentes significa trabalhar em meio a uma escuridão incompreensível; e esta, digo eu, é exatamente a condição calculada com mais perfeição para despertar o interesse de qualquer profeta que seja propriamente dotado de imaginação, de insight e da curiosidade intelectual necessárias para uma prática feliz de sua atividade.

O que fascina e desespera o historiador, ao examinar o povo judaico de Isaías, a Atenas de Platão, ou a Roma dos Antoninos, é a esperança de descobrir e revelar o "substratum do bem pensar e do fazer correto" que ele sabe que deve ter existido em algum lugar naquelas sociedades, porque nenhum tipo de vida coletiva pode subsistir sem ele. Ele encontra excitantes indícios aqui e ali em muitos lugares, como na Antologia Grega, no álbum de recortes de Aulus Gellius, nos poemas de Ausonius, e no breve e comovente tributo, Bene merenti, conferido aos desconhecidos ocupantes das tumbas romanas. Mas estes são vagos e fragmentários; eles não o ajudam em sua busca por algum método de medição deste substratum, mas meramente atestam o que ele já sabia a priori – que o substrato realmente existia em algum lugar. Onde estava, o quanto tinha de substancial, qual o seu poder de auto-afirmação e resistência – sobre tudo isso, nada é dito.

De mesma forma, quando o historiador de daqui a dois mil ou duzentos anos examinar o testemunho disponível sobre a qualidade da nossa civilização, e tentar alcançar qualquer tipo de evidência clara e convincente do substratum do bem pensar e do fazer correto, que ele sabe que deve ter existido, vai passar pelo diabo até conseguir encontrá-lo. Quando tiver reunido tudo o que conseguiu, e quando tiver aberto certa margem para falácias, vagueza, e confusão de motivo, tristemente reconhecerá que a sua rede não capturou absolutamente nada. Remanescentes estiveram aqui, construindo um substratum como insetos de coral; isto ele sabe, mas não encontrará nada que o ponha na pista de quem e onde e quantos eles foram, e de que maneira trabalhavam.

Quanto a tudo isso, também, o profeta do presente sabe exatamente tanto e tão pouco quanto o historiador do futuro; e é isto, repito, que me faz seu trabalho parecer tão profundamente interessante. Um dos episódios mais sugestivos recontados na Bíblia é aquele sobre a tentativa de um profeta – a única tentativa do tipo de que se tem registro, que eu saiba – de contar quantos eram os Remanescentes. Elias fugira da perseguição para o deserto, onde o Senhor imediatamente chamou sua atenção e perguntou o que fazia, tão longe de seu trabalho. Ele respondeu que estava fugindo, não por covardia, mas porque todos os Remanescentes haviam sido mortos, com exceção dele mesmo. Ele escapara por apenas um fio de cabelo, e, sendo agora o único Remanescente que havia, se fosse morto a Fé Verdadeira teria fim. O Senhor respondeu que ele não tinha que se preocupar com isso, pois mesmo sem ele a Fé Verdadeira provavelmente conseguiria se arranjar de algum modo, se fosse preciso; "e quanto ao seu cálculo dos Remanescentes," disse Ele, "Eu não me importo em lhe dizer que há sete mil deles lá em Israel, dos quais pelo visto você não tem notícia, mas pode acreditar em Minha palavra de que lá eles estão."

Naquele tempo, a população de Israel provavelmente não podia ser muito maior do que um milhão de pessoas; e um grupo de sete mil Remanescentes em um milhão é uma porcentagem altamente encorajadora para qualquer profeta. Com sete mil ao seu lado, não havia grandes motivos para que Elias se sentisse solitário; e, a propósito, isso é algo que o profeta moderno deve considerar quando tomado de tristeza. Mas o principal é que se Elias o Profeta não conseguiu chegar a um palpite mais aproximado sobre o número dos Remanescentes, do que quando tentou e errou por sete mil, qualquer pessoa que enfrente este problema estará apenas desperdiçando tempo.

A outra certeza com a qual o profeta dos Remanescentes pode sempre contar é a de que os Remanescentes o encontrarão. Ele pode confiar nisso com absoluta segurança. Eles o encontrarão sem que o profeta faça qualquer esforço para tal; de fato, se fizer qualquer esforço, é bem certo que os afastará. Ele não precisa propagandear-se para atraí-los, nem recorrer a qualquer esquema de publicidade para angariar sua atenção. 

Se ele é um pregador ou palestrante, por exemplo, pode ser totalmente indiferente a aparições em coquetéis, a ter sua foto publicada nos jornais ou fornecer material autobiográfico para publicação, em nome do "interesse humano". Se um escritor, não precisa se preocupar com aparecer em festas, fazer noites de autógrafo, nem entrar em qualquer espécie de duvidosa confraria de críticos. Tudo isso e muito mais do mesmo tipo se encontra na rotina normal e necessária do profeta das massas; é, e deve ser, parte da grande técnica geral para capturar os ouvidos do homem-massa – ou, como coloca o nosso vigoroso e excelente publicista, o senhor H. L. Mencken, a técnica de "boob-bumping", trombar com tolos. O profeta dos Remanescentes não está preso a esta técnica. Ele pode estar certo de que os Remanescentes encontrarão o caminho sem qualquer auxílio exterior; e não apenas isso, mas se o encontrarem através destes auxílios, como eu disse, é muito provável que fiquem com uma pulga atrás da orelha e dêem no pé.

A certeza de que os Remanescentes o encontrão, entretanto, deixa o profeta no escuro tanto quanto antes, tão desamparado quanto antes na questão de fazer qualquer espécie de estimativa sobre os Remanescentes; pois, como acontece no caso de Elias, ele continua ignorante de quem são os que o acharam, ou de onde estão ou quantos são. Eles não escreveram para informá-lo, assim como fazem os que admiram as vedetes de Hollywood, e nem mesmo o procuram e se apegam a esta pessoa. Eles não são dessa espécie. Eles encaram a mensagem do profeta da mesma forma que motoristas usam as direções inscritas numa placa de beira de estrada – ou seja, dedicando muito pouca atenção à placa, além da grata alegria que sentem por ela estar lá, e com todos os pensamentos voltados para as direções.

Esta atitude impessoal dos Remanescentes aumenta maravilhosamente o interesse do trabalho do profeta imaginativo. De vez em quando, apenas com a freqüência suficiente para manter ativa sua curiosidade intelectual, ele encontrará acidentalmente alguma nítida reflexão de sua própria mensagem, em algum canto insuspeitado. Isso permite que se entretenha, em momentos de lazer, com agradáveis especulações sobre o curso que sua mensagem pode ter tomado até alcançar aquele lugar específico, e sobre o que foi dela depois de chegar lá. O mais interessante destes exemplos seria se fosse possível retraçar o caminho (mas é sempre possível especular), até o ponto em que o próprio receptor não sabe mais onde ou quando ou de quem ele recebeu a mensagem – ou mesmo até o ponto, como acontece algumas vezes, em que ele esqueceu de tê-la recebido em algum lugar, e imagina que a coisa é uma idéia espontânea, surgida de sua própria mente.
Exemplos tais como estes provavelmente não são infreqüentes, pois, mesmo sem presumir que façamos parte dos Remanescentes, todos nós podemos, sem dúvida, lembrar de estarmos repentinamente sob a influência de uma idéia cuja fonte nos é impossível identificar. "Eu só me dei conta depois", como dizemos; ou seja, temos consciência dela somente depois que feriu integralmente nossas mentes, deixando-nos completamente ignorantes de como e quando e por qual agente foi plantada lá, e deixada para que germinasse. Parece altamente provável que a mensagem do profeta muitas vezes toma curso semelhante entre os Remanescentes.

Se, por exemplo, você é um escritor ou um palestrante ou um pregador, oferece uma idéia que está alojada no Unbewußtsein de um membro qualquer dos Remanescentes, e a idéia "pega" fácil lá. Por algum tempo permanece inerte; então começa a afligir e ferir, até que invade a mente consciente da pessoa, e, pode-se dizer, a corrompe. Enquanto isso, ele esqueceu completamente de como chegou à idéia em primeiro lugar, e talvez até mesmo pense que a inventou; e nestas circunstâncias, o mais interessante de tudo é que você nunca sabe o que a pressão daquela idéia pode levá-lo a fazer.

Por estes motivos, me parece que o trabalho de Isaías não é apenas bom, mas extremamente interessante; especialmente na nossa época, quando ninguém se encarrega dele. Se eu fosse jovem e tivesse o objetivo de entrar no trabalho profético, certamente entraria neste ramo do negócio; e portanto não tenho qualquer hesitação em recomendá-lo como carreira para qualquer um que esteja nesta posição. Ela oferece um campo aberto, sem competição; a nossa civilização despreza e rejeita os Remanescentes tão completamente, que qualquer pessoa focada em seu serviço pode muito bem ter a expectativa de dominar todo o negócio.

Mesmo presumindo que exista algum salvamento social a ser experimentado com as massas, mesmo presumindo que o testemunho histórico sobre o seu valor seja um pouco drástico demais, que leva o desespero um pouco longe demais, ainda é necessário perceber, eu penso, que as massas têm profetas demais e de sobra. Mesmo admitindo que nos momentos críticos da história, a esperança da raça humana talvez não esteja exclusivamente centrada nos Remanescentes, é necessário perceber que eles têm valor social suficiente para lhes conferir um direito a alguma medida de consolação e encorajamento proféticos, e que a nossa civilização não lhes concede nenhum. Todas as vozes proféticas são dirigidas às massas, e somente a elas; a voz do púlpito, a voz da educação, a voz dos políticos, da literatura, do teatro, do jornalismo – todas estas são dirigidas exclusivamente às massas, e elas conduzem as massas na direção em que estão indo.

É possível sugerir, portanto, que o talentoso aspirante a profeta pode muito bem voltar-se para outra direção. Sat patriae Priamoque datum – qualquer obrigação do tipo devida ás massas já está paga, com um excesso monstruoso. Contanto que as massas tomem o tabernáculo de Moloque e de Quium, suas imagens, e sigam a estrela de seu deus Buncombe, a elas não faltarão profetas que apontem o caminho que leva à Vida Mais Abundante; e, portanto, os poucos que sentem o impulso profético talvez façam melhor em se aplicar à tarefa de servir os Remanescentes. É um bom trabalho, um trabalho interessante, muito mais interessante do que servir às massas; e além do mais, é o único trabalho em toda a nossa civilização, até onde sei, que oferece um campo virgem.
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