Para um domingo celestial


Thomas Tallis (1505-1585) naceu em Greenwitch e foi chamado o Compositor das Catedrais. Vivendo em um período tumultuado do Cristianismo, seu talento foi requisitado por protestantes e católicos. Um gênio da música - esquecido em nossos dias de trevas -, cuja obra imensa nos faz sentir a atmosfera de uma catedral medieval. Spem in Alium, sua composição mais famosa, foi composta em 1570. Em breve colocarei mais coisas dele aqui...
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Princípios de uma política conservadora

Olavo de Carvalho
Estes princípios não são regras a ser seguidas na política prática. São um conjunto de critérios de reconhecimento para você distinguir, quando ouve um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um "liberal", no sentido brasileiro do termo hoje em dia (uma indecisa mistura dos dois anteriores).

1)   Ninguém é dono do futuro. "O futuro pertence a nós" é um verso do hino da Juventude Hitlerista. É a essência da mentalidade revolucionária. Um conservador fala em nome da experiência passada acumulada no presente. O revolucionário fala em nome de um futuro hipotético cuja autoridade de tribunal de última instância ele acredita representar no presente, mesmo quando nada sabe desse futuro e não consegue descrevê-lo se não por meio de louvores genéricos a algo que ele não tem a menor ideia do que seja.

Quando o ex-presidente Lula dizia "não sabemos qual tipo de socialismo queremos", ele presumia saber : (a)   que o socialismo é o futuro brilhante e inevitável da História, quando a experiência nos mostra que é na verdade um passado sangrento com um legado de mais de cem milhões de mortos; (b) que ele e seus cúmplices têm o direito de nos conduzir a uma repetição dessa experiência, sem outra garantia de que ela será menos mortífera do que a anterior exceto a promessa verbal saída da boca de alguém que, ao mesmo tempo, confessa não saber para onde nos leva.

A mentalidade revolucionária é uma mistura de presunção psicótica e de irresponsabilidade criminosa.

2)   Cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. Isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as subsequentes em escolhas drásticas cujos efeitos quase certamente maléficos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, mas, por isso mesmo, não tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências temerárias.

3)     Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o governo seguinte não possa desfazer. É um corolário incontornável do princípio anterior. As eleições periódicas não fariam o menor sentido se cada governo eleito não tivesse o direito e a possibilidade de corrigir os erros dos governos anteriores. A democracia é, portanto, essencialmente hostil  a qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que esta seja em determinado momento.

Nenhuma ordem social gerada pelo decurso dos séculos é tão ruim quanto uma nova ordem imposta por uma elite iluminada que se crê, sem razão, detentora do único futuro desejável. No curso dos três últimos séculos não houve um só experimento revolucionário que não resultasse em destruição, morticínio, guerras e miséria generalizada. Não se vê como os experimentos futuros possam ser diferentes.

4)   Nenhuma proposta revolucionária é digna de ser debatida como alternativa respeitável num quadro político democrático. A revogabilidade das medidas de governo é um princípio incontornável da democracia, e toda proposta revolucionária, por definição, nega esse princípio pela base. É impossível colocar em prática qualquer proposta revolucionária sem a concentração do poder e sem a exclusão, ostensiva ou camuflada, de toda proposta alternativa. Não se pode discutir alternativas com base na proibição de alternativas.

5)  A democracia é o oposto da política revolucionária. A democracia é o governo das tentativas experimentais, sempre revogáveis e de curto prazo. A proposta revolucionária é necessariamente irreversível e de longo prazo. A rigor, toda proposta revolucionária visa a transformar, não somente uma sociedade em particular, mas a Terra inteira e a própria natureza humana.

É impossível discutir democraticamente com alguém que não respeita sequer a natureza do interlocutor, vendo nela somente a matéria provisória da humanidade futura. É estúpido acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, eurasianos e tutti quanti possam integrar-se pacificamente na convivência democrática com facções políticas infinitamente menos ambiciosas. Será sempre a convivência democrática do lobo com o cordeiro.

6)  A total erradicação da mentalidade revolucionária é a condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo. A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana. Teve uma origem histórica – por volta do século 18 – e terá quase certamente um fim. O período do seu apogeu, o século 20, foi o mais violento, o mais homicida de toda a História humana, superando, em número de vítimas inocentes, todas as guerras, epidemias, terremotos e catástrofes naturais observadas desde o início dos tempos.

Não há exagero nenhum em dizer que a mentalidade revolucionária é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. É uma questão de números e não de opinião. Recusar-se a enxergar isso é ser um monstro de insensibilidade. Toda política que não se volte à completa erradicação da mentalidade revolucionária, da maneira mais candente e explícita possível, é uma desconversa criminosa e inaceitável, por mais que adorne sua omissão com belos pretextos democráticos, libertários, religiosos, moralísticos, igualitários, etc.
          
          
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/68268-principios-de-uma-politica-conservadora
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O Leviatã II – O óbvio ululante

"Awakening Leviathan" - Richard Sardinha

Não conheço uma só pessoa que, em sã consciência e sem interesses particulares, prefira o serviço público ao privado. Você não deve estar surpreso com essas afirmações: com raríssimas exceções, os serviços oferecidos pelo Estado brasileiro são deploráveis. 

Hospitais matam pessoas, bandidos fogem das cadeias e escolas emburrecem crianças diariamente, e isso não é uma figura de linguagem: só neste mês de setembro recolhi dezenas de exemplos que comprovam incompetência do Estado em TODAS as áreas. 

Saúde:
No mês em que o Governo, com apoio da imprensa, voltou a pressionar pela volta da CPMF, medicamentos estragaram nos depósitos; equipamentos enferrujaram nas caixas; paciente morreu após 8 horas em ambulância; criança teve a perna amputada por engano. 

Segurança:
Se existisse um Nobel de Criminalidade, seria do Brasil:  55.000 homicídios por ano; menos de 15% dos homicídios solucionados; e todos os dias – sim todos os 365 dias do ano – presos fogem das cadeias nesta terra da paz e da boa vontade.

Educação:
Desde antes do fim do Regime Militar a influência da ONU e de outros organismos internacionais vêm destruindo um sistema educacional que, se não era o melhor do mundo, estava longe dos piores. Com os governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma as coisas pioraram enormemente. 

Idéias estúpidas como aprovação automática, a ideologização, o nível abissal do conteúdo pedagógico e o despreparo dos profissionais (de professores a ministros) fez da burrice uma conquista da nossa nação. 

Um dado que comprova que estamos emburrecendo alunos com muito êxito: testes internacionais garantem que as crianças brasileiras estão entre as mais inteligentes do mundo. Já os nossos universitários estão entre os últimos, disputando, cabeça-a-cabeça, com Serra Leoa, Zambia, Zaire e outros tradicionais redutos intelectuais...

Depois dos livros de geografia com dois estados do Piauí, dos erros de concordância em um livro de português, erros de soma em um livro de matemática e de um ministro da educação que fala “cabeçário” e é tido como intelectual pela imprensa, você queria o quê?

Me empolguei com esta postagem (rs). Ouvi mais uma grande bobagem sobre "Estado Forte" agora há pouco. Era para escrever 4 ou 5 linhas, já que vivendo no Brasil até um macaco pode perceber a incompetência do Estado. 

Resta a pergunta que não quer calar: por que insistimos em deixar essa besta ainda maior e mais poderosa?

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