A natureza do inteligir

O mais santo dos sábios e mais sábio dos santos

O intelecto de uma certa forma é próprio da alma, e de uma outra certa forma é conjunto com o corpo.

Existem operações da alma que necessitam do corpo como instrumento e como objeto. Por exemplo: ver necessita do corpo como objeto, porque a cor, que é objeto da visão, está no corpo. Ver também necessita do corpo como instrumento, porque a visão, apesar de ser pela alma, não se dá, todavia, senão pelo órgão da vista, que é o seu instrumento. Desta maneira, ver não é somente da alma, mas também do órgão.
 
Existem outras operações da alma que necessitam do corpo, não todavia como instrumento, mas apenas como objeto. Assim, o inteligir não é pelo órgão corporal, mas necessita do objeto corporal. Os fantasmas, de fato, se acham para com o intelecto assim como as cores para com a visão. Ora, as cores se acham para com a visão como objetos. Portanto, os fantasmas se acharão para com o intelecto como objetos. Daí que, não existindo os fantasmas sem o corpo, fica patente que o inteligir não se dá sem o corpo. Mas isto como objeto, não como instrumento.
 
A primeira conclusão que se segue é que o inteligir é uma operação própria da alma, e não necessita do corpo exceto apenas como objeto. Ver e as demais operações e paixões da alma não são apenas da alma, mas conjuntas.
 
A segunda conclusão que se segue é que como o que apresenta operação per se também apresenta ser e subsistência per se, e aquilo que não tem operação per se não apresenta ser [e, subsistência] per se, por conseguinte
 
  • A. O intelecto é forma subsistente
  • B. As demais potências são formas em matéria

Santo Tomás de Aquino - Comentários a Aristóteles

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4 comentários:

renatocinema disse...

Agora que comecei a licenciatura em História vou entrar muito nesse site.

Abraços

May Almeida disse...

Muito interessante seu post ,sério !!Só uma ressalva: o inteligir se dá tambem e principalmente pela alma.

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1144448-pessoas-aprendem-associacoes-de-sons-e-cheiros-enquanto-dormem-diz-estudo.shtml

É sabido que durante o estado mais profundo do sono o espírito se desprende no mínimo parcialmente do corpo.
Ademais ,pessoas que tem algum comprometimento fisíco cerebral aprendem tanto ou mais do que pessoas normais.O problema é que nessas pessoas consideradas especiais ,a capacidade de expressão,de exteriorização óbvia do que foi apreendido , fica prejudicada parcial ou quase totalmente ( infelizmente ) ,a depender da situação

Não tou contestando seu post pelamordedeus tá ?!É bem por aí como você falou ,só tou incorporando um dado novo que acho que pode complementar a linha de raciocínio enfocada .

Ale Costa disse...

May, você tem toda razão! O cérebro apenas "manuseia" a intelecção. O conhecimento, assim como a intuição, a imaginação e até o raciocínio se dão em um nível muito mais profundo e sublime.
Adorei seu comentário.
Abraços,
Ale.

Ale Costa disse...

Renato, você é muito bem-vindo!
Comente, critique, sugira...estamos todos aprendendo...
Obrigado e desculpe a demora!
Abraços,
Ale.

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